quinta-feira, 4 de agosto de 2011

04 de agosto - Dia do Sacerdote




Hoje, dia de São João Batista Maria Vianney, o Santo Cura d'Ars, envia a todos estas lindíssimas palavras escritas por este grande santo que, na humildade, foi uma imagem viva do "amor do Coração de Jesus".
E não se esqueçam hoje de rezar por nós, sacerdotes, sobretudo por aqueles que exercem a missão pastoral de párocos!
Deus os abençoe sempre mais!
Em Cristo, o amor do Pai,


Dom Bento Albertin, OSB
_______

Do Catecismo de São João Maria Vianney, presbítero
(Catéchisme sur la prière: A.Monnin, Esprit du Curé d’Ars, Paris1 899, pp.87-89)
(Séc.XIX)

A mais bela profissão do homem é rezar e amar


Prestai atenção, meus filhinhos: o tesouro do cristão não está na terra, mas nos céus. Por isso, o nosso pensamento deve estar voltado para onde está o nosso tesouro. Esta é a mais bela profissão do homem: rezar e amar. Se rezais e amais, eis aí a felicidade do homem sobre a terra.


A oração nada mais é do que a união com Deus. Quando alguém tem o coração puro e unido a Deus, sente em si mesmo uma suavidade e doçura que inebria, e uma luz maravilhosa que o envolve. Nesta íntima união, Deus e a alma são como dois pedaços de cera, fundidos num só, de tal modo que ninguém pode mais separar. Como é bela esta união de Deus com sua pequenina criatura! É uma felicidade impossível de se compreender. Nós nos havíamos tornado indignos de rezar. Deus, porém, na sua bondade, permitiu-nos falar com ele. Nossa oração é o incenso que mais lhe agrada.


Meus filhinhos, o vosso coração é por demais pequeno, mas a oração o dilata e torna capaz de amar a Deus. A oração faz saborear antecipadamente a felicidade do céu; é como o mel que se derrama sobre a alma e faz com que tudo nos seja doce. Na oração bem feita, os sofrimentos desaparecem, como a neve que se derrete sob os raios do sol.
Outro benefício que nos é dado pela oração: o tempo passa tão depressa e com tanta satisfação para o homem, que nem se percebe sua duração. Escutai: certa vez, quando eu era pároco em Bresse, tive que percorrer grandes distâncias para substituir quase todos os meus colegas que estavam doentes; nessas intermináveis caminhadas, rezava ao bom Senhor e – podeis crer! – o tempo não me parecia longo.


Há pessoas que mergulham profundamente na oração, como peixes na água, porque estão inteiramente entregues a Deus. Não há divisões em seus corações. Ó como eu amo estas almas generosas! São Francisco de Assis e Santa Clara viam nosso Senhor e conversavam com ele do mesmo modo como nós conversamos uns com os outros.


Nós, ao invés, quantas vezes entramos na Igreja sem saber o que iremos pedir. E, no entanto, sempre que vamos ter com alguém, sabemos perfeitamente o motivo por que vamos. Há até mesmo pessoas que parecem falar com Deus deste modo: “Só tenho duas palavras para vos dizer e logo ficar livre de vós.”. Muitas vezes penso nisto: quando vamos adorar a Deus, podemos alcançar tudo o que desejamos, se o pedirmos com fé viva e coração puro.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

FORMAÇÃO



Javé se inclina...
Há mais de 30 anos que prego retiros para casais. E, todas as vezes, vejo homens e mulheres, quase todos anêmicos ao ingressarem nessas “clínicas” que são as casas de retiro, apresentarem, ao sair, uma nova vitalidade espiritual, adquirida após a “cura de alma” a que se entregaram.

Será preciso, é certo, fazer novo retiro no ano seguinte. É que são muitos os que deixam que a anemia novamente os atinja. E, uma vez mais, irão fazer a experiência da extraordinária eficácia de alguns dias passados com Deus.

Qual seria o segredo dessa eficácia? Silêncio, missa diária, oração... outras tantas razões, sem dúvida. Mas a razão primeira, a mais decisiva, é outra. Nesses homens e mulheres a fé achava-se enfraquecida, doente, sonolenta, esgotada, moribunda; eis que, ao sopro da Palavra de Deus, ela desperta, firma-se, readquire vitalidade. Porquanto há uma relação muito estreita entre a fé e a Palavra do Senhor; somente a Palavra de Deus tem o poder de despertar e alimentar a fé, esta fé que é conhecimento de Deus, de sua vida íntima e de seu domínio sobre o universo.
A fé enfraquece, definha, naquele que não se abre à Palavra de Deus e não a guarda. Entendo por Palavra de Deus os Livros inspirados e toda palavra ou escrito que apresenta a Revelação que esses livros contêm.

Se há tantos cristãos raquíticos, é que são bem poucos aqueles que procuram a Deus:
“Javé, do alto dos céus, se inclina sobre os filhos dos homens para ver se há um sensato, um que procure a Deus.” (Salmo 14, 2).
Pelo contrário, estará protegido da anemia espiritual aquele que alimenta a sua fé, que procura o conhecimento de Deus, isto é, o conhecimento de Jesus Cristo por quem e em quem o Pai tudo nos deu, tudo disse, tudo revelou, tudo manifestou. E, como a sua fé é alimentada, cresce o seu amor de Deus, aumenta a sua generosidade ao serviço de Deus. Nele há vida.

“A vida eterna é que eles te conheçam, a ti, único Deus verdadeiro, e teu enviado, Jesus Cristo.” (Jo 17, 3).

Eis por que, nas Equipes de Nossa Senhora, dá-se tanta importância à troca de idéias, este momento que, no decorrer das reuniões, é consagrado à procura do conhecimento de Deus, de seu pensamento e de sua vontade. Eis por que se pede a cada casal que se aplique seriamente no estudo do tema, marido e mulher juntos. Eis por que considero um mau sintoma ouvir tal membro de uma antiga equipe dizer-me: “poderíamos renunciar ao tema e dedicar maior tempo à oração e à coparticipação”. Eis por que, recentemente, foi pedido a todos os membros das Equipes de Nossa Senhora que dediquem diariamente pelo menos dez minutos de seu tempo à leitura pausada e refletida das Sagradas Escrituras.

“Dobro os meus joelhos na presença do Pai... digne-se Ele, segundo a riqueza de Sua glória, armar-vos de poder por seu Espírito, para que se fortaleça em vós o homem interior; que o Cristo habite em vossos corações pela fé, e que estejais enraizados, fundados no amor. Recebereis assim a força de compreender, com todos os santos, qual é a Largura, o Comprimento, a Altura e a Profundidade, conhecereis o amor de Cristo, que excede todo conhecimento, e sereis repletos de toda a plenitude de Deus.” (Ef 3, 14-19).

Henri Cafarrel
Editorial da Carta Mensal
maio de 1972

terça-feira, 2 de agosto de 2011

FESTA DE NOSSA SENHORA DA ASSUNÇÃO - 396 ANOS




De 6 a 15 de agosto de 2011





De 12 a 15 de agosto, acontecerá em Cabo Frio a tradicional Festa da Padroeira da cidade, Nossa Senhora da Assunção. Na programação religiosa, haverá Novena, Santas Missas, Procissão e Carreata. Já a festa externa terá shows, tendas de alimentação, almoço dançante e outras atividades.
A tradicional Festa, que já tem 396 anos, é uma realização da Paróquia de Nossa Senhora da Assunção com o apoio da Prefeitura de Cabo Frio. Este ano o evento terá também outros parceiros, como a Auto Viação Salineira, Engeluz, Hemolagos, Pré-Fogo, Instituto Católico de Educação e Cultura Mater Coeli, Instituto Santa Rosa e a Universidade Veiga de Almeida, entre outros.
Programação:


Dia 06/08 (sábado) – Início da Novena

Este ano a Novena terá como lema “Maria Discípula e Missionária”. Durante os nove dias, os temas tocarão na dimensão da fé mariana: Maria, Serva do Senhor; Mãe Amável; Causa de nossa Alegria; Consoladora dos Aflitos; Discípula mais Perfeita do Senhor; Refúgio dos Pecadores; Sede de nossa Alegria; Casa de Ouro; Auxílio das Famílias. A Novena vai até o dia 14 /08 no horário de 19h; exceto os dias 13 e 14, quando o horário será 19h30min, ambos os dias na Igreja Matriz Auxiliar.

1º dia: B.V. Maria, Serva do Senhor
Participação: Pastoral da Juventude, EAC (Encontro de Adolescentes com Cristo), Perseverança, Catequese
Às 20h – Santa Missa

Dia 07/08 (domingo):
Às 8h30min – Santa Missa
Às 18h – Santa Missa
Às 19h30min – 2º dia da Novena: B.V. Maria, Mãe Amável
Participação: Cursilho - Catecumenato – Pastoral da Segunda União - Comunidade Sant’Ana
Às 20h – Santa Missa
Corrida da Padroeira - Organização SEMEL
Dia 08/08 (segunda-feira):

Às 19h – 3º dia da Novena: B.V. Maria, Causa de Nossa Alegria
Participação: Pastoral da Sobriedade - Pastoral da AIDS - Pastoral da Saúde - Vicentinos - Comunidade São Pedro

Dia 09/08 (terça-feira):

Às 19h – 4º dia da Novena: B.V. Maria, Consoladora dos Aflitos
Participação: RCC (Renovação Carismática Católica) - Grupo de Oração - Pastoral do Dízimo - Comunidade São José
Dia 10/08 (quarta-feira):

Às 19h – 5º dia da Novena: B.V. Maria, A Discípula Mais Perfeita do Senhor
Participação: Pastoral da Criança - Pastoral da Terceira Idade - Mordomos do Espírito Santo
Dia 11/08 (quinta-feira):

Às 19h – 6º dia da Novena: B.V. Maria, Refúgio dos Pescadores
Participação: ISS - Pastoral da Liturgia - Acólitos - MESC (Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão) - Comunidade Rainha da Paz
Dia 12/08 (sexta-feira):

Às 19h: Novena e Santa Missa
7º dia da Novena: B.V. Maria, Sede da Sabedoria
Participação: Legião de Maria - Pastoral da Ressurreição - Apostolado Mãe Peregrina - Pastoral do Batismo
Às 20h: show popular com barraquinhas na Praça Porto Rocha – Juceir Jr e, em seguida, Banda Korda Solta
Dia 13/08 (sábado):

Das 9h às 14h: Ação Social - Cultura e Saúde, Cidadania e Integração Social
Às 19h30min: Novena
8º dia da Novena: B.V. Maria, Casa de Ouro
Participação: OFS (Ordem Franciscana Secular) - Comunidade Santa Clara
Às 20h: Santa Missa
Às 21h: show popular com barraquinhas na Praça Porto Rocha – Leo Aguiar, em seguida Leoni
Dia 14/08 (domingo):

Às 8h30min: Santa Missa
Às 9h30min: Torneio de Futebol (Previsto)
Às 12h: Almoço Festivo e Show Popular (Praça Porto Rocha) – Banda Three Dance
Às 17h30min: Coroação de Nossa Senhora
Às 18h: Santa Missa
Às 19h30min: último dia da Novena de Nossa Senhora da Assunção
9º dia da Novena: B.V. Maria, Auxílio das Famílias
Participação: ECC (Encontro de Casais com Cristo) - Equipe de Nossa Senhora - Pastoral dos Noivos
Às 20h: Santa Missa
Às 21h: Show popular e barraquinhas na Praça Porto Rocha – Brazilian Beeatles
Dia 15/08 (segunda-feira): Dia da Padroeira – 396 anos

Às 7h: Alvorada Festiva com Banda 13 de novembro, fogos e repique dos sinos da Matriz histórica.
Às 10h: Missa Solene da Assunção de Nossa Senhora – Matriz Histórica
Às 15h: Carreata da Assunção (Concentração Sal Cisne)
Às 17h: Missa Solene seguida de procissão com a Imagem de Nossa Senhora da Assunção
Às 19h: Auto da Assunção com GARRA (Grupo Artístico Rainha Assunta)
Às 20h: Show com o Ministério Adoração e Vida
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Outras informações: (22) 2643-0082 – www.pnsassunção.org.br

(Reproduzido do site da Paróquia de N.S.da Assunção de Cabo Frio)

TEXTO COMPLEMENTAR (para a reunião de Equipe de agosto/2011)



VOCAÇÃO, UM CHAMADO DIVINO PARA VIVER E PARA AMAR!
Pe. José Ulysses da Silva, C.SS.R.


Nós não nascemos por acaso. Houve um chamado de amor, anterior e mais profundo do que o desejo de nossos pais. Mesmo que nos tenham acolhido com todo o carinho, nossa existência se deve ao chamado amoroso do próprio Deus. Nossos pais são sempre colaboradores dessa vocação à vida, que brotou do coração de Deus.
Nossa primeira vocação é simplesmente viver. Esse é o chamado fundamental a todo ser humano, que não pode ser frustrado jamais. Dele dependemos para ir respondendo bem a todos os outros chamados ao longo do nosso crescimento.
Não existe vida, onde não há amor. A vocação à vida brotou do amor, que Deus nos tem antes mesmo de nascermos. Por isso, é natural que o alimento essencial da vida seja o amor. Onde não há amor, não se produz ou não se mantém a vida.
Para corresponder ao chamado divino, basta viver com amor e amar a vida. Como toda criatura, o ser humano que vive de bem com a vida certamente satisfaz o coração de Deus. Contudo, deixamos que em nossa existência entrasse a negação do pecado, esquecemos que a vida é um dom divino, pretendemos nos tornar proprietários dela, desvinculamos o viver do amar, acabamos por manipular a nossa vida e a vida dos outros. Por isso entramos no caminho perigoso da morte, que não é efeito apenas da degeneração física, mas é efeito da falta de amor e de sentido para a vida.
“Eu vim para que todos tenham Vida e a tenham em abundância!” Jesus se encarna para recuperar a nossa vocação à vida e ao amor. Não quer que o ser humano fique sepultado jamais, nem antes nem depois de morrer. Ele nos chama novamente a viver plenamente. Convida-nos para sermos seus discípulos, seguindo-o no verdadeiro caminho da Vida plena, que supera a corrupção do pecado e da morte total.
Os Sacramentos da Iniciação cristã são os sinais eficazes dessa vida refeita, ressuscitada, pascal. Pelo Batismo, Jesus nos mergulha novamente na vida divina, que nos refaz como filhos queridos do Pai Celeste. Na Crisma, Jesus nos comunica o seu Espírito Santo, que nos salva da corrupção do corpo e de espírito. E na Eucaristia, Jesus cria uma comunhão de vida, através da energia do seu amor, que atravessa todo o nosso ser. Formamos um só Corpo ressuscitado com Ele e com os irmãos. Esses sacramentos da Iniciação Cristã são sinais vitais e vitalizadores, porque recriam o sentido eterno da nossa vida e a ligam novamente à força do amor. Eis a nossa vocação original, redimida pela cruz e ressurreição de Jesus.
Todos os ministérios da Igreja devem continuar esse serviço à vida e ao amor. Começa pela maravilhosa vocação da família, como primeiro grande sacramento a serviço da vida e do amor. Ela não pode ser fruto do acaso nem da aventura, ou da busca do prazer individual, mas sim uma resposta a um chamado divino. O mesmo acontece com todas as outras vocações, desde o Papa, o bispo, o padre, até o ministro da Comunhão ou da Palavra. São instrumentos para alimentar, promover, defender e refazer a vocação à vida, em toda a sua plenitude, que começa aqui e se estende por toda a eternidade.
Somos todos vocacionados a sermos Discípulos e Missionários da vida plena para a nossa gente, fazendo com que todas as nossas instituições se tornem fontes de água viva, capazes de saciar o corpo e a alma de cada ser humano.

Revista de Aparecida – Agosto/2009

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

"O GRUPO"


O grupo é assim:
Gente que é gente
E que não sabe que os outros são gente,
Como a gente,
Com um lado bom e outro ruim.

No grupo tem de tudo,
Botocudo e tupiniquim,
Tem falador e tem mudo,
Mas ninguém igual a mim.

Tem o falso polígamo
E o rapaz bem-amado,
A enamorada da vida
E também o magoado.

Tem doutores e tímidos,
Agressivos e dominados.
Tem mães e tem filhos,
Tem até mascarados.

E o grupo vai girando,
Mudando a vida da gente,
O calado sai falando,
O pessimista contente.

O grupo é como a vida,
Mal se entra, já vamos indo,
Quem ri, acaba chorando,
Quem chora, acaba rindo.

Uma coisa a gente aprende:
Que o outro é como eu;
Chora, ri, ama e sente,
Mas quase tudo depende da Gente.

Que grupo danado, que vivência atroz.
O EU e o TU se atacam,
Mas depois eles se amam,
Em benefício de NÓS.
(AUTOR DESCONHECIDO)

UMA EQUIPE DE NOSSA SENHORA É MAIS DO QUE UM GRUPO...

CASAIS SE REÚNEM EM NOME DE CRISTO...

BUSCAM A ESPIRITUALIDADE CONJUGAL...

MAS AS DIFERENÇAS EXISTEM ENTRE OS CÔNJUGES E ENTRE OS CASAIS...

SAIBAMOS SUPERAR AS DIFERENÇAS!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Encontro Provincia Leste-2010


Clique em cima da foto para visualizar, ou acesse: http://picasaweb.google.com.br/reinaldosazevedo/EncontroProvinciaLeste2010?feat=directlink

"HONRAR PAI E MÃE"

Se as relações familiares não fossem intrinsecamente complicadas, não existiria o mandamento "Honrarás pai e mãe”. Comentário de grande sabedoria. Assunto inesgotável. Como educar, como cuidar neste mundo maravilhoso e tresloucado, com tanta sedução e tanta informação – um mundo no qual, sobretudo na juventude, nem sempre há o necessário discernimento para escolher bem?

Saber distinguir o melhor do pior, ser capaz de observar e argumentar, são o melhor legado que família e escola podem dar. Na família, fica abaixo só do afeto e da segurança emocional. Na escola, importa mais do que o acúmulo de informações e o espaço das brincadeiras, num sistema que aprendeu erroneamente que se deve ensinar como se o aluno não tivesse de aprender. Fora disso, meus caros, não há salvação. Isso e professores supervalorizados e bem pagos, escola para todos — não mais milhões de crianças e jovens em casas cujo pátio é barro misturado a esgoto, ou na rua, com o crack e a prostituição. Um ensino que dê muito e exija bastante: ou caímos na farra e no despreparo para a vida, que inclui graves decisões pessoais e um mercado de trabalho cruel.

Bem antes da escola vem o fundamental, o ambiente em casa, que marca o indivíduo pelo resto de sua jornada. Se esse ambiente for positivo, amoroso, a criança acreditará que amor e harmonia são possíveis, que ela pode ter e construir isso, e fará nesse sentido suas futuras escolhas pessoais. Se o clima for de ressentimento, frieza, mágoas ocultas e desejos negativos, o chão por onde o indivíduo vai caminhar será esburacado. Mais irá tropeçar, mais irá quebrar a cara e escolher para si mesmo o pior.

Dificuldades familiares não têm a ver só com o natural conflito de gerações, mas também com a atitude geral dos pais. Eles têm entre si uma relação de lealdade, carinho, alegria? São realmente interessados, tentam assumir suas responsabilidades grandes e difíceis? Foi-se o patriarcado, em que havia regras rígidas. Eu não quereria estar na pele dos infratores de então, os filhos que ousavam discordar. Em lugar da anterior rigidez e distância, estabeleceu-se a alegre bagunça, com mais demonstrações de afeto, mais liberdade, mais respeito pelas individualidades — muitas vezes com resultados dramáticos. Lembro a frase que já escrevi nesta coluna, do psicólogo que me revelou: "A maior parte dos jovens perturbados que atendo não tem em casa pai e mãe, tem um gatão e uma gatinha". Talvez tenham uma mãe que não troca cabeleireiro e academia por horas de afeto com os filhos, ou um pai que corre atrás do dinheiro necessário para manter a família acima de suas possibilidades, por ilusão sua ou desejo de status de uma mulher frívola.

Crianças de 11 anos freqüentam festinhas em que rola o inenarrável: onde estão pai e mãe?Adolescentezinhos rodam de madrugada pelas ruas, dirigindo bêbados ou drogados: onde estão pai e mãe? Quase crianças passam fins de semana em casas de serra e praia reais ou fictícios, com adultos irresponsáveis ou só entre outras crianças, transando precocemente, drogando-se, engravidando, semeando infelicidade, culpa, desorientação pela vida afora. Onde estão os pais?

Ter filho é talvez a maior fonte de alegria, mas também é ser responsável, ah sim! Nisso sou rigorosa e pouco simpática, eu sei. Esse é o dilema fundamental numa sociedade que prega a liberalidade, o “divirta-se”, o “cada um na sua”, como num pré-apocalipse. Mais grave ainda num momento em que a honradez de figuras públicas (que deveriam ser nossos guias e modelos) é quase uma extravagância. Pais bonzinhos são tão danosos quanto pais indiferentes: o amor não se compra com presentes, nem permitindo tudo, nem fingindo não saber ou não querendo saber, muito menos desviando o olhar quando ele devia estar vigilante. Quem ama cuida: velho princípio inegável, incontornável e imortal, tantas vezes violado.

Lya Luft, Revista Veja, edição de 11 Junho de 2008.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

"Por uma Igreja que pensa"


O escritor, compositor e cantor Pe. José Fernandes de Oliveira, o Pe. Zezinho, SJC, escreveu um texto bastante provocativo (no bom sentido da palavra) em sua coluna para o Semanário "O São Paulo", da Arquidiocese de São Paulo. Ele faz um protesto contra a falta de zelo e cuidado em relação aos vários ministérios e serviços na Igreja. Mais do que um texto pessimista, penso que seja uma saudável provocação para avaliarmos até que ponto levamos a sério os dons e os ministérios que o Espírito Santo concedeu à comunidade na qual cada um de nós estamos presentes. E até que ponto "caprichamos", para que o anuncio da Palavra de Deus, a preparação da liturgia e a acolhida das pessoas seja feito de maneira adequada e digna.


POR UMA IGREJA QUE PENSA

Leitores que não preparam as leituras. Cantores que não ensaiam os cantos. Coroinhas que não ensaiam a sua parte. Sacerdotes que não preparam seus sermões. Catequistas que não lêem os documentos da Igreja. Pregadores que não leram o catecismo. Cantores desafinados que insistem em liderar os cantos da missa. Músicos sem ritmo e sem ensaios que tocam alto e errado. Cantores que dão show de um hora, sem perceber que a guitarra e o baixo estão desafinados. De quebra, também um dos solistas...

Autores que não aceitam corrigir seus textos e suas letras, antes de apresentá-los a milhões de irmãos na fé. Cantores que teimam em repetir uma canção cuja letra o bispo já disse que não quer que se cante mais. Párocos que permitem que qualquer um lidere as leituras e o canto. Párocos que permitem qualquer canção, mesmo se vier errada. Sacerdotes que ensinam doutrinas condenadas pela Igreja, práticas e devoções com ranços de heresia ou de desvio doutrinário. Animadores de programas católicos com zero conhecimento de doutrina.

Parecemos um hospital que, na falta de médicos na sala de cirurgia, permite aos secretários, porteiros e aos voluntários bem intencionados que operem o coração dos seus pacientes. Há católicos aconselhando, sem ter estudado psicologia. Há pregadores receitando, sem terem estudado teologia moral. E há indivíduos ensinando o que lhes vem na cabeça, porque, entusiasmados com sua fama e sua repercussão, acham que podem ensinar o que o Espírito Santo lhes disse naquela hora. Nem sequer se pergutam se de fato era o Espírito Santo que lhes falou durante aquela adoração, ou aquela noite mal dormida!

Está faltando discernimento na nossa Igreja! Como está parece a casa da mãe Joana, onde todos falam e apenas uns poucos pensam no que falam. Uma Igreja que não pensa acaba dando o que pensar!

Texto extraído do Semanário "O São Paulo", da Arquidiocese de São Paulo / nº 2789 - Ano 55 - 9 a 15 de março de 2010.

Enviado por Dom Bento Albertin,OSB


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

"CONFLITOS FAMILIARES"




Norma Emiliano
Os conflitos são inerentes ao processo de evolução dos seres humanos.
A relação em família é complexa, pois cada ser humano é singular em relação a sua história, temperamento, idade, composição genética, etc.. No jogo relacional há alianças e luta pelo poder.
Nos diversos relacionamentos, as diferenças individuais quanto às percepções e necessidades emergem, pois cada pessoa forma a sua própria percepção e tem necessidades num determinado momento. Essas diferenças no contexto relacional tornam-se as bases dos conflitos.
As diferenças, comumente, não são percebidas como oportunidades de enriquecimento e acabam sendo usadas de modo destrutivo. Assim, a diferença que leva a um conflito de interesse (discordância) é percebida como insulto e/ou desamor.
O casal ao interagir com os filhos influência na construção de suas identidades, bem como transmite-lhes modelos de relacionamento que serão levados para todas as áreas de suas vidas: amizade, profissional, amor, etc.
É vital ao bom ambiente familiar que o casal possua uma forte aliança, saiba lidar com seus conflitos, colabore entre si e satisfaça necessidades mútuas. Por outro lado, é importante também que em suas funções de pais, exista apoio à autoridade de cada um dos cônjuges com relação aos filhos.
Pode-se encontrar em qualquer relacionamento permanente, seja ele conjugal, entre pais e filhos, a família como um todo, ou relacionamento da família com outros sistemas sociais, formas de conflitos submersos, não resolvidos. Esse tipo de conflito pode acarretar distância emocional, disfunção física ou psicológica, ou envolvimento em uma aventura amorosa.
Quando há questões mal resolvidas entre o casal, uma ou mais crianças se envolvem no conflito marital, com a função de distrair os pais do conflito. Essa criança fica muito próxima de um ou ambos os pais, e as fronteiras entre as gerações são rompidas. Há uma excessiva dependência mútua e a autonomia da criança e dos pais torna-se limitada.
A falta de comunicação, somada à dificuldade para resolver problemas em conjunto são fatores negativos na criação dos filhos. As divergências dos pais, veladas ou abertas, em relação à educação dos filhos, os deixam confusos e, com freqüência, as crianças usam de manipulações, jogando os pais um contra o outro.
Os conflitos tornam–se mais fáceis de serem enfrentados quando ambos os parceiros compreendem as questões e suas origens. Para tal é necessário cada um entender e aceitar os seus próprios medos, valores, expectativas e proteções e também as do parceiro. Torna-se necessário ter clareza da ligação entre o presente e o passado. A percepção desta conexão possibilita que não se fique apenas repetindo padrões relacionais antigos, ou seja, dando respostas antigas a situações novas, levando para o casamento e para a nova família uma repetição do relacionamento anterior com os seus próprios pais.
Os relacionamentos adultos transferem, quase sem alterações, as características de disputas de poder entre pais e filhos, que cada um dos parceiros anteriormente tivera. Por exemplo, na luta pelo poder, pode-se observar que a mãe, normalmente é a detentora do controle no dia-a-dia; assim, tanto as meninas quanto os meninos podem resistir a isso. Quando adultas, as mulheres podem assumir esse mesmo papel, enquanto os homens transferem resistência às suas mulheres. Nesta luta pelo poder geram-se conflitos. Uma crise séria pode ser o ponto de partida para interromperr esse círculo vicioso. Mas uma estratégia duradoura é poder enfrentar os fantasmas do passado.

Veja mais artigos sobre relacionamento familiar no Portal da Família

Norma Emiliano é Terapeuta Individual, Casal e Família, e Assistente Social, e mantém a homepage Pensando em Família.
( http://www.pensandoemfamilia.com.br)
Publicado no Portal da Família em 05/10/2008

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

"Encontros Provínciais" (datas)

Província Leste - 15 a 17 de outubro
Província Sul II - 15 a 17 de outubro
Província Nordeste - 22 a 24 de outubro
Província Sul I - 05 a 07 de novembro
Província Sul III - 05 a 07 de novembro
Província Norte - 05 a 07 de novembro
Província Centro-Oeste - 05 a 07 de novembro

terça-feira, 21 de setembro de 2010

"Quero papai e mamãe em casa!"


Escrito por: Maria Luisa Estrada de Vélez.
Autora do Programa Protege tu Corazón.
Traduzido e adaptado por: Dora Porto.

Qualidade ou quantidade? O que querem os filhos?
Será possível? Em apenas 49 minutos???
Assistir um filme, assistir a uma aula, fazer um pouco de exercício, tomar um café e ler o jornal, arrumar-se para sair, comer, jantar, entrar no Facebook ou algum Chat?
A duras penas...
Pois bem, este é o tempo que as famílias inglesas conseguem estar reunidas a cada dia segundo uma pesquisa realizada por ocasião da National Family Week ente 3.000 pais e 1.000 filhos.
75% dos pais ingleses valorizam a convivência familiar frente a 4% que diz que o mais importante em suas vidas é o dinheiro. No entanto 20% atribui o escasso tempo ao stress, outros 32% ao horário de trabalho e 36% à prioridade de ganhar mais dinheiro.
No programa Protege tu Corazón damos uma sessão chamada “ Minha família oportunidade para crescer” para alunos entre 10 e 13 anos de idade. Depois de descrever os fatores que mantém uma família unida, propõe-se aos adolescentes a pensar: Quanto tempo passamos juntos? Cada aluno avalia os minutos ou horas que passa por dia conversando, brincando, vendo TV, lendo, passeando com sua mãe ou seu pai, fazendo algo com seus irmãos se os tem.
Em geral levam um bom tempo para respondê-lo e surgem comentários como: “ com meu pai nunca estou, porque não mora conosco”, ou “ meu pai viaja muito”, ou “ minha mãe trabalha o dia inteiro e eu a vejo pouco”, etc. Numa ocasião uma menina disse: “ eu vejo meu pai 23 segundos por dia e explicou: quando ele chega em casa costuma já estar deitada, então ele chega à porta do quarto, me olha, arruma minhas cobertas e logo se vai. Eu fingindo estar dormindo contabilizei: 23 segundos!!!”
Quantidade ou qualidade?
60% dos pais pesquisados considera que dar aos filhos tempo de boa qualidade está unido a gastar dinheiro. Desse modo muitos justificam o trabalho duro para depois fazer uma viagem, ou passar um dia completo num grande Parque de diversões. O curioso é que 2 em cada 3 crianças prefere estar mais tempo com seus pais mas em casa,do que fazer algo extraordinário. A eterna discussão se é melhor a qualidade que a quantidade, para essas crianças está clara. Querem papai e mamãe em casa, todos os dia, não como uma evento especial e esporádico.
Kim Clark que foi Decano da Escola de Negócios de Harvard dizia aos seus alunos recém formados: “ Nenhum sucesso nos negócios compensa as falhas com suas família. O trabalho mais importante vocês farão dentro dos muros de seus lares. Meu principal conselho é que invistam primeiro na família”.
Vale a pena reconsiderar as coisas. Determinar uma hora para sair do trabalho, e estabelecer prioridades. Dinheiro para comprar coisas para os filhos? Melhor é arrumar tempo para estar com eles. As coisas passam, perdem-se, se gastam, mas as lembranças vividas juntos a seus pais ficam gravadas para sempre.
Pessoalmente lembro-me de meus pais lendo, fazendo escultura, pintando, escutando música, organizando a biblioteca. Nos fins de semana aprendíamos a fazer pipas, ou uns cintos de couro que fazíamos com eles. Compravam os materiais e nos ensinavam com paciência enquanto nos divertíamos. Estar aí era o segredo e a alegria dos filhos!
A presença em casa implica estar disponíveis, ainda que ao mesmo tempo se possa fazer alguma atividade. Não é incompatível. Ler um livro, consertar alguma coisa, trocar uma lâmpada, preparar o almoço, conversar sobre os acontecimentos diários, comer juntos, ajudar os filhos numa tarefa, ver um programa de TV juntos. Não significa fazer coisas especiais a cada dia. É o o dia a dia o que mais preenche e o que deixa uma marca na formação do caráter dos filhos. Há muitas atividades que não requerem dinheiro, mas, se requer vencer um pouco o comodismo pessoal em favor da família.
Os filhos nos estão recordando: queremos papai e mamãe em casa todos os dias!

Enviado por Dom Bento Albertin,OSB