quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
FORMAÇÃO - A PARTILHA
“Assim como um amor que não é lembrado
nem comemorado acaba, uma vida sem
momentos fortes se dilui, perde sua coesão.
(Mística dos Pontos Concretos de Esforço e Partilha)
No
início da oração que antecede a Partilha, numa reunião mensal, dizemos: “Senhor
Jesus Cristo, no momento que fazemos a nossa partilha compreendemos melhor que
somos em vós, membros uns dos outros”.
Decidimos
estar juntos e “viver equipe” na esperança de que, através desta união,
possamos progredir no amor de Deus e do próximo. Sabemos que sozinhos não temos
força suficiente, por isso contamos com a ajuda dos nossos irmãos de equipe
para nos fortalecer e nos estimular na caminhada.
Este
auxílio só se torna concreto, eficaz, se juntos e com toda lealdade, aceitarmos
avaliar mensalmente em nossa reunião de equipe, o ponto em que nos encontramos
em nossa caminhada espiritual através da Partilha.
Podemos
afirmar que, ao vivenciar a Partilha, apelamos com toda humildade e
simplicidade a uma cooperação fraterna que se estabelece através da verdadeira
caridade evangélica, pois a Partilha é um ponto forte do auxílio mútuo espiritual.
Por meio dela pedimos auxílio à nossa equipe e oferecemos o nosso, para que
possamos ir mais longe em nossas vidas enquanto casais e equipistas.
É o
momento em que “assumimos os nossos irmãos e eles nos assumem”, e este é um
sinal que somos uma comunidade viva. Portanto, devemos ter a consciência de que
fugindo da Partilha ou apresentando-a sem responsabilidade estaremos
prejudicando o conjunto da nossa “vida de equipe” e evitando o nosso
crescimento mútuo.
Graças
e Élcio - Equipe 01 - Setor SG B, Região Rio IV, Província Leste
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
CÂNTICO DE NÚPCIAS
Nossos caminhos são agora um só caminho,
nossas almas, uma só alma.
Cantarão para nós os mesmos pássaros,
e os mesmos anjos desdobrarão sobre nós
as invisíveis asas.
Temos agora por espelho os nossos olhos;
o teu riso dirá a minha alegria,
e o teu pranto, a minha tristeza.
Se eu fechar os olhos, tu estarás presente;
se eu adormecer, serás o meu sonho;
e serás, ao despertar, o sol que desponta.
Nossos mapas serão iguais,
e traçaremos juntos os mesmos roteiros
que conduzam às fontes escondidas
e aos tesouros ocultos.
Na mesma página do Evangelho encontraremos o Cristo,
partiremos na ceia o mesmo pão;
meus amigos serão os teus amigos,
perdoaremos com iguais palavras
aqueles que nos invejam.
Será nossa leitura à luz da mesma lâmpada,
aqueceremos as mãos ao mesmo fogo
e veremos em silêncio desabrochar no jardim
a primeira rosa da Primavera.
Iremos depois nos descobrindo nos filhos que crescem,
e não mais saberemos distinguir em cada um
os meus traços e os teus,
o meu e o teu gesto,
e então nos tornaremos parecidos.
E nem o mundo nem a guerra nem a morte,
nada mais poderá separar-nos,
pois seremos mais que nunca,
em cada filho,
uma só carne
e um só coração.
Que o homem não separe o que Deus uniu.
Que o tempo não destrua a aliança que nos prende,
nem os amores, o amor.
Que eu não tenha outro repouso que o teu peito,
outro amparo que a tua mão,
outro alimento que o teu sorriso.
E, quando eu fechar os olhos para a grande noite,
sejam tuas as mãos que hão de fechá-los.
E, quando os abrir para a visão de Deus,
possa contemplar-te como o caminho
que me levou, dia após dia,
à fonte de todo amor.
Nossos caminhos são agora um só caminho,
nossas almas, uma só alma.
Já não preciso estender a mão para alcançar-te,
já não precisas falar para que eu te escute...
Dom Marcos Barbosa (nome civil: Lauro de Araújo Barbosa),
monge beneditino, poeta e tradutor, nasceu em Cristina, MG, em 12 de setembro
de 1915, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 5 de março de 1997.
terça-feira, 26 de novembro de 2013
ADVENTO, TEMPO DE ESPERANÇA
Dom Odilo P. Scherer
Com o Advento, a Igreja inicia um
novo Ano Litúrgico; enquanto fazemos memória das grandes etapas e fatos da
história de Deus com a humanidade, somos envolvidos pela ação salvadora de
Deus. Mais que recordar ações do passado, trata-se de acolher no presente de
nossa vida essa mesma ação de Deus e ser beneficiados por ela.
No Advento colocamo-nos numa
dupla perspectiva: olhando para trás na história, recordamos o que Deus já
realizou pela humanidade, sobretudo mediante o envio do seu Filho Jesus Cristo;
e nos alegramos pela imensa condescendência que Deus teve para conosco,
manifestada no Natal do Salvador da humanidade. Olhando para frente,
preparamo-nos para a realização plena das promessas de Deus e para ir ao seu
encontro; com a Igreja e toda a humanidade ansiosa de salvação aclamamos: vem,
Senhor Jesus!
Por isso mesmo, o Advento é
marcado pela esperança e a alegria. Os belos textos proféticos lidos neste
tempo litúrgico, sobretudo os de Isaías, falam da eficácia das promessas de
Deus; mostram um Deus amigo dos homens, cheio de misericórdia e pronto a
perdoar e a restaurar a vida do seu povo. Os textos litúrgicos da Missa e das
outras celebrações deste período, muito belos, falam com freqüência do Deus que
se faz Emanuel - Deus-conosco. Esperança e alegria devem, por isso,
acompanhar-nos ao longo do Advento.
É justamente esta proximidade de
Deus que nos pode trazer esperança; na vida não contamos apenas com nossas
pobres forças, sempre falíveis, mas com o poder de Deus. Por isso, a esperança
que acompanha este tempo não se refere apenas a coisas futuras, mas constrói
desde já sobre a certeza da fidelidade de Deus à sua palavra. Justamente na
abertura do Advento deste ano, o Papa Bento XVI deu à Igreja uma valiosa
Encíclica sobre a esperança cristã: “Spe salvi” (Somos salvos na esperança).
Vale a pena ler e meditar a Encíclica durante este Advento.
Sem esperança, o mundo não tem
futuro; sem esperança, também não haverá justiça, solidariedade e paz. E não
bastam as esperanças suscitadas pelos projetos e realizações humanas, sejam
eles a ciência ou a técnica, os regimes políticos e as ideologias, o cultivo da
saúde e da beleza e o gozo da vida: por mais importantes que sejam, todas essas
propostas têm alcance limitado e contam apenas com as forças humanas.
Precisamos de um horizonte de certeza que supere as seguranças construídas por
nós mesmos. O fundamento da verdadeira esperança, como bem recorda Bento XVI, é
o próprio Deus.
No primeiro domingo do Advento
deste ano, o texto de Isaías fala da “casa do Senhor”, que se transformará numa
referência para todos os povos, que anseiam pela paz e pela justiça; Jerusalém
é a habitação de Deus, “casa de Deus”, lugar onde se aprende a lei de Deus e se
edifica uma convivência pacífica; já não haverá mais a necessidade de treinar
para a guerra e as armas de destruição e de morte podem ser transformadas em
instrumentos pacíficos de trabalho e de produção de alimentos. No final da
leitura, o profeta faz um apelo: “vinde todos,
deixemo-nos guiar pela luz do
Senhor”. É uma imagem bonita daquilo que podem ser também nossas cidades, se
acolherem verdadeiramente a presença salvadora de Deus.
Também São Paulo, na Carta aos
Romanos, convida a acordar, pois a noite vai adiantada e o dia se aproxima;
isso significa deixar de lado as ações das trevas e revestir-se de Cristo, luz
do mundo. Jesus recorda que seus discípulos devem ser “luz do mundo”; mas eles
poderão sê-lo somente se deixarem o coração inflamar-se no encontro com Cristo,
“luz verdadeira que ilumina todo homem que vem a este mundo”. Deus nos abençoe
e nos dê um feliz tempo de Advento.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
Oração, Família, Bênçãos e Missão
No livro de Tobias (8,9), Tobias
após seu casamento elevou a Deus uma linda oração e destaco esse versículo para
nossa meditação: “Ora, vós
sabeis, ó Senhor, que não é para satisfazer a minha paixão que recebo a minha prima
como esposa, mas unicamente com o desejo de suscitar uma posteridade, pela qual
o vosso nome seja eternamente bendito.” Percebemos na atitude desse homem, uma
pessoa preocupada em seguir e viver os ensinamentos que ao longo do
relacionamento religioso recebera. Esse relacionamento é fundamental para que
ele e sua família possam ser mais e mais iluminada e protegida, ou melhor
dizendo, sua família tenha as bênçãos do olhar bondoso de Deus.
O relacionamento religioso produz uma
aproximação à vontade divina a ponto de a alma não ser corrompida por paixões
de nenhuma ordem, mas sim um desejo sincero de ser instrumento da santidade
divina. As paixões vêm de muitos modos e maneiras, cheias de facilidades e
certezas para colocar dentro da família os seus sabores. Mas elas são
carregadas de ilusões que, passado o momento apaixonante, aparece logo o vazio.
O desejo sincero de fazer a vontade de Deus vai se formando na alma humana
quando a mesma alma se coloca em oração na presença de Deus e o Próprio Senhor
vai modelando a alma a ser instrumento de Sua Santa Vontade. Na oração de
Tobias a união com sua esposa a “suscitar posteridade” tende a finalidade de
bendizer o Santo Nome de Deus e é esse o sentido maior da existência de sua
família.
Aproximando-se desse grande homem
bíblico, Tobias, encontramos um coração orante unido a Deus e faz sua família
estar próxima da bênção dessa união, a fim de ser cumpridora da vontade divina,
sentido fundamental de andar tanto e enfrentar tantas coisas para iniciar sua
família.
“São Paulo compara a grandiosidade
do amor conjugal com o grande amor que Cristo tem para com a Igreja e nada pode
afastar esse amor”.
Pe Ângelo José - Equipe 05
SCES São Gonçalo A
domingo, 17 de novembro de 2013
A Lectio Divina
A Lectio Divina
A
“Lectio Divina” é uma expressão latina já presente e consagrada no vocabulário católico,
que pode ser traduzida como “leitura divina”, “leitura espiritual”, ou ainda
como ocorre hoje em nosso país e em vários escritos atuais, como “leitura
orante da Bíblia”. Ela é um alimento necessário para a nossa vida espiritual. A
partir deste exercício, conscientes do plano de Deus e a Sua vontade, pode-se
produzir os frutos espirituais necessários para a salvação. A Lectio Divina é
deixar-se envolver pelo plano da Salvação de Deus. Os princípios da Lectio
Divina foram expressos por volta do ano 220 e praticados por monges católicos,
especialmente as regras monásticas dos santos: Pacômio, Agostinho, Basílio e
Bento. O tempo diário dedicado à lectio divina sempre foi grande e no melhor
momento do dia. A espiritualidade monástica sempre foi bíblica e litúrgica. A
sistematização do método da lectio divina nós encontramos nos escritos de
Guigo, o Cartucho, por volta do século XII.
A Lectio Divina tradicionalmente é uma oração
individual, porém, pode-se fazê-la em grupo. O importante é rezar com a Palavra
de Deus, lembrando o que dizem os bispos no Concílio Vaticano II, relembrando a
mais antiga tradição católica – que conhecer a Sagrada Escritura é conhecer o
próprio Cristo. Monges diziam que a Lectio Divina é a escada espiritual dos
monges, mas é também de todo o cristão. O Papa Bento XVI fez a seguinte
observação num discurso de 2005: “Eu
gostaria, em especial, recordar e recomendar a antiga tradição da Lectio
Divina, a leitura assídua da Sagrada Escritura, acompanhada da oração que traz
um diálogo íntimo em que na leitura, se escuta Deus que fala e, rezando,
responde-lhe com confiança a abertura do coração”.
O Concílio Vaticano II, em seu decreto Dei Verbum 25,
ratificou e promoveu, com todo o peso de sua autoridade, a restauração da
Lectio Divina, retomando essa antiquíssima tradição da Igreja Católica. O
Concílio exorta igualmente, com ardor e insistência, a todos os fiéis cristãos,
especialmente aos religiosos, que, pela frequente leitura das divinas
Escrituras, alcancem esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo (Fl 3,8).
Porquanto, “ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo” (São Jerônimo, Comm. In
Is., prol).
O método mais antigo e que inspirou outros mais
recentes, é que, seja pessoalmente, em comunidade ou no círculo bíblico nós
comecemos a reflexão com a Palavra de Deus e que, depois da invocação do
Espírito Santo, segue os passos tradicionais: 1- Lectio (Leitura); 2- Meditatio
(Meditação); 3- Oratio (Oração) e 4- Contemplatio (Contemplação). Existem
outros métodos que, inspirados aqui, procuram ajudar o cristão a acolher em sua
vida a Palavra de Deus e a colocar em prática no seu dia a dia. Em nossa 48ª Assembleia
dos Bispos do Brasil, celebrada em Brasília de 3 a 13 de maio último, além de
tratar como tema central a “Palavra de Deus”, proporcionou aos Bispos, na manhã
do domingo, dia 9, um tempo para lerem, meditarem e rezarem com esse método. A
mensagem que foi publicada sobre o tema central está baseada justamente nesse
clima. Chegou o momento de passarmos a colocar em nossos grupos de reflexão,
círculos bíblicos e outros grupos a Palavra de Deus como fonte de reflexão e
inspiração para iluminar a nossa realidade concreta.
O método tradicional é simples: são quatro degraus –
“a leitura procura a doçura da vida bem-aventurada; a meditação a encontra; a
oração a pede, e a contemplação a experimenta. A leitura, de certo modo, leva à
boca o alimento sólido, a meditação o mastiga e tritura, a oração consegue o
sabor, a contemplação é a própria doçura que regala e refaz. A leitura está na
casca, a meditação na substância, a oração na petição do desejo, a contemplação
no gozo da doçura obtida.” (Guigo, o Cartucho, Scala Claustralium).
Portanto, quanto à leitura, leia, com calma e atenção,
um pequeno trecho da Sagrada Escritura (aconselha-se que nas primeiras vezes
utilizem-se os textos dos Evangelhos). Leia o texto quantas vezes e versões
forem necessárias. Procure identificar as coisas importantes desta perícope: o
ambiente, os personagens, os diálogos, as imagens usadas, as ações. É
importante identificar tudo com calma e atenção, como se estivesse vendo a
cena. A leitura é o estudo assíduo das Escrituras, feito com aplicação de
espírito.
Quanto à Meditatio, começa, então, diligente
meditação. Ela não se detém no exterior, não pára na superfície, apóia o pé
mais profundamente, penetra no interior, perscruta cada aspecto. Considera
atenta sobre o que esta Palavra está iluminando minha vida e a realidade em que
vivo hoje. Quais são as circunstâncias que ela me questiona e me incentiva?
Depois de ter refletido sobre esses pontos e outros semelhantes no que toca à
própria vida, a meditação começa a pensar no prêmio: Como seria glorioso e
deleitável ver a face desejada do Senhor, mais bela do que a de todos os homens
(Sl 45,3), não mais tendo a aparência como que o revestiu sua mão, mas
envergando a estola da imortalidade, e coroado com o diadema que seu Pai lhe
deu no dia da ressurreição e de glória, o dia que o Senhor fez (Sl 118,24).
Quanto à Oratio, toda boa meditação desemboca
naturalmente na oração. É o momento de responder a Deus após havê-lo escutado.
Esta oração é um momento muito pessoal que diz respeito apenas à pessoa e Deus.
Não se preocupe em preparar palavras, fale o que vai ao coração depois da
meditação: se for louvor, louve; se for pedido de perdão, peça perdão; se for
necessidade de maior clareza, peça a luz divina; se for cansaço e aridez, peça
os dons da fé e esperança. Enfim, os momentos anteriores, se feitos com atenção
e vontade, determinarão esta oração da qual nasce o compromisso de estar com
Deus e fazer a sua vontade. Vendo, pois, a pessoa que não pode por si mesma
atingir a desejada doçura de conhecimento e da experiência, e que quanto mais
se aproxima do fundo do coração (Sl 64,7), tanto mais distante é Deus (cf. Sl
64,8), ela se humilha e se refugia na oração. E diz: Senhor, que não és
contemplado senão pelos corações puros, eu procuro, pela leitura e pela
meditação, qual é, e como poder ser adquirida a verdadeira doçura do coração, a
fim de por ela conhecer-te, ao menos um pouco.
Quanto ao último passo, a Contemplatio: desta etapa a
pessoa não é dona. É um momento que pertence a Deus e sua presença misteriosa,
sim, mas sempre presença. É um momento no qual se permanece em silêncio diante
de Deus. Se ele o conduzirá à contemplação, louvado seja Deus! Se ele lhe dará
apenas a tranquilidade de uns momentos de paz e silêncio, louvado seja Deus! Se
para você será um momento de esforço para ficar na presença de Deus, louvado
seja Deus! Mas em todas as circunstâncias será uma maneira de ver Deus presente
na história e em nossa vida! “Ele recria a alma fatigada, nutre a quem tem
fome, sacia sua aridez, lhe faz esquecer tudo o que não é terrestre,
vivifica-a, mortificando-a por um admirável esquecimento de si mesma, e
embriagando-a sóbria a torna” (Guido, o Cartucho).
Há uma preocupação grande com a vida prática, com a
conversão, de modo que muitas vezes se costuma acrescentar a “actio”, ou seja,
ação junto com a contemplação. Os temores de uma vida “alienada” podem ser
sempre apresentados em todas as circunstâncias, mas quando se aprofunda
realmente na Palavra de Deus e se crê que ela é como uma espada de dois gumes
que penetra no mais profundo de nosso ser e que também ilumina nossa vida e
nosso caminho, teremos certeza de que ela ilumina a nossa estrada e nos conduz
com a graça de Deus por uma vida nova.
Portanto, diante deste patrimônio da nossa Igreja que
é este método da Lectio Divina, desejo a todos que inspirados na mensagem que
os Bispos enviaram acerca do tema central da 48º Assembleia, possamos todos nós
aprofundar a Leitura Orante da Bíblia, que, aproximando-nos da Palavra de Deus,
encontremos os caminhos da vida dos cristãos hoje, neste início de milênio,
que, diante da atual mudança de época, respondamos com uma vida nova, haurida
nas escrituras sagradas, que nos comunicam a Palavra eterna, o Verbo eterno,
Jesus Cristo, nosso Senhor!
Dom
Orani João Tempesta
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
EQUIPES DE NOSSA SENHORA NO MUNDO - BAILE DO SETOR LAGOS
Equipe 01-Nossa Senhora da Assunção
"Casais Peruanos"
Vejam ao lado, as foto do Baile de Confraternização do Setor Lagos, "EQUIPES DE NOSSA SENHORA NO MUNDO", realizado no dia 09/11/2013, na Sociedade Musical Santa Helena, em Cabo Frio.
As Equipes do Setor, depois de sorteio anteriormente realizado, compareceram vestidos com trajes típicos, representando os diversos países onde o Movimento está presente.
Foi um importante momento de confraternização, onde a alegria se fez presente em todos os casais equipistas e seus convidados.
(Clique na foto, ao lado, para visualizar o álbum completo)
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
PADRE CAFFAREL
"Para nós, orar é
deixar que o Espírito Santo fale em nós. Eis porque não podemos ter outro
mestre de oração a não ser o próprio Deus: `Senhor, ensina-nos a rezar´(...)
Espírito do Alto Mar, Espírito da Palavra e do silêncio, Espírito de Oração,
Espírito de Jesus Cristo, abre os olhos dos que lerão estas... depois, fecha-os
para que, no silêncio profundo de sua alma, longe de tudo, menos de Ti, ouçam o
que nenhuma palavra humana pode dizer... Senhor, ensina-nos a orar" (Henri
Caffarel)quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Sentimento de Pertença
É curioso como o verbo PERTENCER
suscita algumas interpretações, nem todas compatíveis com a seiva das ENS. Pode
sugerir, por exemplo, certa passividade, como se o equipista fosse refém de
algo tomado à força e estivesse, assim, irreversivelmente possuído. Nada a se
fazer, então. Ou que, apenas por fazer parte integrante do Movimento, a ação já
foi concluída. Uma e outra levam ao mesmo
equívoco: ao acomodamento.
A palavra "pertencer", na
verdade, esconde uma generosidade transformadora por estar profundamente ligada
à ideia de enraizamento. Fala de uma raiz que compromete, integra, é ativa, põe
em movimento. Acomodamento, portanto, está fora de questão.
Preferimos o termo "sentimento
de pertença" ao "sentido de pertença" porque o primeiro se
instala e fica. O segundo de vez em quando perde o rumo. O sentimento faz
contato, aproxima o fogo, mas, não se engane, acontece pouco a pouco. Raros são
os que foram arrebatados do cavalo como São Paulo. De maneira geral, parece que
Deus prefere insinuar-se delicadamente. A Sua aproximação é sutil e constante.
Como um leve perfume que se espalha numa Reunião de Colegiado. Ou no reencontro
com vários largos sorrisos numa Missa Mensal ou num Evento. Às vezes acontece
num testemunho tocante durante o EACRE. Ou na oportunidade de refletir com mais
vagar num Retiro. Quem sabe o momento exato em que Deus irá nos surpreender?
O fato é que, quando o nosso coração
se desarma e se entrega, quando autorizamos a visita de Deus em nossas vidas,
algo acontece: somos atingidos em cheio. E mais: somos transformados. A
presença de Deus nos adoça. O desejo de servir vem à tona. A vontade de
compartilhar a bênção recebida transborda. Quando somos embebidos pelo
sentimento de pertença somos impelidos ao outro, à ação desinteressada. As
exigências da pedagogia do nosso Movimento deixam de parecer arbitrárias, pois
também nelas reconhecemos o perfume de Deus.
Que o perfeccionismo não seja
desculpa para o adiamento da nossa entrega. Nenhum de nós precisa estar pronto
para ser merecedor da visita amorosa de Deus. Ao contrário. Nosso Pai não faz
outro pedido que não seja descuidar-nos da vigilância controladora dos nossos
sentimentos. O sentimento de pertença nada mais é que nos rendermos a quem
pertencemos. O trabalho que daí se segue é totalmente de Sua autoria.
Deborah e Fajardo – Equipe 12 – Niterói A
Equipe do Enfoques
Publicado no Informativo "ENFOQUES" (número 46), Região Rio IV, Província Leste
Super-Região Brasil
domingo, 3 de novembro de 2013
NOITE DE FORMAÇÃO DO SETOR LAGOS
NOITE DE FORMAÇÃO DAS
EQUIPES DE NOSSA SENHORA – SETOR LAGOS.
TEMA: FAMÍLIA E
ESPIRITUALIDADE CONJUGAL
PADRE JOÃO LUIS
FRANCO ASSUNÇÃO
PRIMEIRA PARTE -
FAMÍLIA
Vamos começar
definindo o termo família. Bem Padre, será que é preciso isso? Eu vou dizer pra
vocês. Hoje, mais do que nunca é importante mergulhar no sentido mais profundo
dessa expressão, família. E eu pergunto a vocês, por quê? E eu mesmo respondo.
Porque hoje os inimigos de Deus e da Igreja, os inimigos do sacramento do
matrimônio, os inimigos da espiritualidade cristã, eles tem lutado dia e noite
para destruir o conceito de família. A partir do conceito, para que não se
tenha mais a ideia de família como o Evangelho traz para nós. A cada momento
eles estão trabalhando, nós estamos aqui e eles estão trabalhando. E eles
querem definir isso através da maior esfera, na esfera do poder governamental,
dos poderes da República. Querem destruir a noção de família a partir dos
poderes legislativo, judiciário e o executivo. Alguém pode me dar um exemplo
disso? Quem de vocês poderia me dar um exemplo disso? Casamento gay, aborto...
. Mas existe um mais específico ainda. A noção de família já não é mais a
comunidade de amor fundada no sacramento, como um compromisso conjugal, pra
quem não tem fé, por exemplo, mas a família hoje é qualquer ajuntamento de
pessoas, que pode ser considerado família. Já perceberam isso? Qualquer
ajuntamento debaixo do mesmo teto pode ser considerado família. E é por essa
porta que começa, então, a aprovação do casamento gay, da adoção de crianças
por homossexuais, nada contra os homossexuais, o problema não é esse, o
problema é atingir o conceito de família.
E quando se atinge
o conceito de família para reconhecer qualquer grupo humano como família, a
partir deste momento, eu deixo de reconhecer a família como a comunidade
amorosa constituída pelo sacramento do matrimônio pra admitir que qualquer
grupo pode ser considerado família. E hoje, de propósito, usa-se esse termo
família pra tudo, e vocês também já repararam, é a família isso, é a família
aquilo, é a família de tal clube, é a família de ex-alunos da escola, é a
família de uma empresa, a família Shell, família não sei o que..., já perceberam
isso? Então, se usa bastante o termo família, pra quebrar aquele conceito
específico que justamente nós cristãos temos, de que família é a comunhão de
vida e amor fundada no sacramento do matrimônio e na vontade de Deus. Ela se
constitui pela aliança amorosa entre um homem e uma mulher, na presença de
Deus, e ela é aberta para a vida dentro daquelas características fundamentais
que a bíblia traz pra nós. O conceito de família deve ser guardado por nós, e
defendido por nós, ainda que os outros tencionem esconder e sufocar ou até
mudar as leis, nós cristãos precisamos ficar cada vez mais firmes ao defender o
conceito de família, o conceito cristão de família é esse “uma comunidade de
vida e amor fundada pelo sacramento do matrimônio e aberta para a vida e para a
felicidade.” Esse é o conceito cristão de família.
Não é qualquer
ajuntamento, não é qualquer grupo de pessoas juntas, esses nunca podem ser
considerados uma família porque não tem os elementos constitutivos necessários
para a formação da família. Mas os homens e mulheres de hoje, envenenados pelo
relativismo moderno, pensam que mudando a lei, mudando o enunciado da lei, eles
pensam que mudam também os conceitos mais profundos, de tal modo que se você
diz: “desculpem mas é que não posso aceitar isso como uma família”, eles dizem
que você está contra lei, você é que está errado. Você vê uma família
constituída de duas Marias ou de dois Manuéis, ou o Sr. Pedro com o Sr. José.
Se você disse assim: “eu não posso reconhecer esse tipo de convivência como
família”, eles dizem que há uma lei que garante aquilo e você está contra a
lei. Ser cristão é contra a lei. É muito pernicioso, mas eles tentam mudar o
conceito, e assim eu pensam que mudando as leis eles tornam esse conceito que
antes era mau, eles transformam num conceito bom, e ele é legal, o conceito de
família atual, uma vez aprovado, ele é legal.
Agora, vamos a uma
reflexão mais profunda um pouco. Nem sempre o que está na esfera do legal é
moral. Não é verdade? Eu me lembro quando eu era mais jovem do que eu sou
hoje..., antes de entrar no seminário eu tinha passado no vestibular pra
direito, e comecei a estudar direito. Eu estudei alguns períodos de direito, e
me lembro justamente de uma das aulas em que a gente aprendia sobre as esferas
do direito, da lei, da moral e da religião. E essas esferas vão se tornando
concêntricas. Tem advogados aqui, também devem ter estudado isso. Tem a esfera
maior de todas, a mais ampla, que era fundada mais do que nunca no próprio
Deus, filosoficamente. A esfera maior que é a esfera da moral, e dentro da
esfera da moral, vinha a esfera da ética, e dentro da esfera da ética, vinha a
esfera do direito, e dentro da esfera do direito, a menor de todas, a esfera da
lei, então a lei pra ser justa ela tem que estar compreendida nas noções
maiores, mas hoje, no mundo moderno, essa coisinha não é mais importante,
porque nós vivemos, no dizer do Papa Bento, a ditadura do relativo.
E esse é o grande
veneno para as famílias católicas. Na ditadura do relativismo, tudo é relativo,
e se eu digo qual o conceito de família, e vão dizer: "pode ser pro senhor
Padre, mas não é pra mim." O homem moderno se perdeu na relatividade.
Compreende o que eu estou dizendo? Na ditadura do relativo, tudo é relativo, e
esse veneno entra na nossa vida, entra na vida de vocês, ele entra na vida dos
seus filhos, exige uma orquestração de marketing muito bem elaborada
trabalhando pra que esses conceitos entrem, e esses conceitos mudem. O homem
perdeu o senso da objetividade, ele vive o subjetivo, nós vivemos num mundo em
que o importante é o subjetivo. Se você diz: “Pessoal olha só, isso não é
certo, isso não é bom”..., aí eles vão dizer: “desculpe, não é bom pra você?
Pra mim é bom, é bom pra mim, então é bom." Não é assim que a gente vive
no mundo de hoje? Agora vai dialogar com uma pessoa assim. Venha com o
Evangelho, venha com a palavra de Jesus Cristo pra essa pessoa. Eles vão dizer:
“Viver essa parte do Evangelho é bom pra você, mas não é bom pra mim”.
É isso que o Papa
Francisco chama de uma religião sob medida. Eu quero ser Cristão, eu quero ser
Católico, eu quero me sentir membro da Igreja, agora eu quero uma religião sob
medida pra mim, igual a um sapato. Eu calço 42, tem uma religião 42 aí pra mim?
Não, porque a religião que está aqui é 39. Eu não vou apertar o meu pé pra
calçar um 41. O meu é 42. E no mundo de hoje a pessoa pensa que pode comprar
uma religião assim, como quem compra um sapato. Então eu procuro uma religião a
minha medida. Já não é mais o homem criado a imagem e semelhança de Deus. Não,
isso já não é mais importante pro homem moderno, eu quero um Deus à minha
imagem e semelhança. Eu não quero um Deus que me fale aquilo que eu não quero
ouvir, eu quero um Deus que me diga o que eu quero ouvir, o que vem de encontro
ao meu desejo, a minha atitude, é a ditadura do relativismo. Eis a opinião de
um filósofo que dizia algo muito interessante: "...e assim o homem cria
Deus à sua imagem e semelhança". E também cria uma Igreja à sua imagem e
semelhança. Ou pior, ele quer continuar naquela mesma Igreja, mas sem mudar a
vida, sem mudar as suas escolhas pessoais. Compreendem o que eu estou dizendo?
E vocês pensam que
isso não existe? Está cheio! Está cheio. E não está longe não. Está dentro da
nossa paróquia. Está na paróquia em que vocês vão à missa todos os domingos. E
ali naquela multidão toda, tem um monte de gente que adora a si mesmo, mas não
a Deus. Tem um monte de gente criando um Deus à sua imagem e semelhança ao
invés de cultivar e adorar o único Deus verdadeiro, só Deus pode ser adorado.
Tem um mundo de gente selecionando as páginas do evangelho e escolhendo aquelas
que eles querem e aquelas que eles não querem viver, tirando as partes
incômodas do evangelho. Uma religião subjetiva, uma religião relativizada, uma
religião mentirosa.
Tudo isso
diariamente entra em contato conosco. Você vai ligar a televisão e logo vêm os
falsos conceitos da catequista do capeta dia e noite, criando falsos conceitos
e vomitando aquilo dentro da sua casa. Não é verdade? Antigamente, quem queria
ver um filme de safadeza ia num cinema de 5ª categoria, escondido, porque tinha
vergonha de alguém vê-lo entrar num cinema desses, e a paciência de ter que ir
até lá. Hoje não. Hoje vocês estão tranquilamente dormindo o sono dos anjos e
sabe Deus o que os seus filhos estão vendo na internet. Verdade ou mentira?
Antigamente a imoralidade estava fora da sua casa, hoje está dentro. Os
conceitos não são mais filtrados, a gente vai vivendo os conceitos falsos,
basta ver uma novela. Eu me lembro da minha própria família. Um dia eu estava
em família vendo televisão em casa, uma determinada novela, o cara era casado
com uma mulher, mas se apaixonou por outra, sabem como é, não? Os autores fazem
sempre da mulher verdadeira o cão chupando manga, e a amante é sempre boa,
maravilhosa. É sempre assim. E aí eu estava vendo a minha própria família, a
minha mãe, as minhas irmãs, todo mundo torcendo contra a mulher verdadeira, ai
eu falei, meu Deus, como é que a gente bebe fácil a mentira. Até mesmo as
nossas famílias cristãs, sem perceber, e com isso nós estamos bebendo a
ditadura do relativismo.
Meus amigos, se
tudo é relativo, se tudo é subjetivo, o evangelho inteiro vem por terra. Se eu
creio que a minha concordância pessoal é que vai dar valor ou não àquilo que
vai ser transmitido ou ensinado, então eu já não creio mais que Jesus Cristo é
a verdade, a verdade sou eu! Eu usurpei o lugar de Deus na minha vida. Eu tirei
Deus do trono do meu coração e elegi como ídolo a minha própria imagem. E eu
dou a ele o nome Deus. Na verdade, é a mim que eu adoro. É o meu gosto, é o que
é mais fácil. Cuidado! Família é a comunidade de vida e de amor, firmada na
aliança matrimonial, que é um sacramento, e aberta para a vida. Isso é a
família no conceito de Jesus Cristo. E nada mais.
Palestra realizada no dia 30/10/2013, pelo Padre João Luis, Sacerdote Conselheiro Espiritual da Equipe 12, Nossa Senhora do Carmo.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
SOBRE O DIA DE TODOS OS SANTOS
Para que louvar os santos, para
que glorificá-los? Para que, enfim, esta solenidade? Que lhes importam as
honras terrenas, a eles que, segundo a promessa do Filho, o mesmo Pai celeste
glorifica? De que lhes servem nossos elogios? Os santos não precisam de nossas
homenagens, nem lhes vale nossa devoção. Se veneramos os Santos, sem duvida
nenhuma, o interesse é nosso, não deles. Eu por mim, confesso, ao recordar-me
deles, sinto acender-se um desejo veemente.
Em primeiro lugar, o desejo que
sua lembrança mais estimula e incita é o de gozarmos de sua tão amável
companhia e de merecermos ser concidadãos e comensais dos espíritos
bem-aventurados, de unir-nos ao grupo dos patriarcas, às fileiras dos profetas,
ao senado dos apóstolos, ao numeroso exercito dos mártires, ao grêmio dos
confessores, aos coros das virgens, de associar-nos, enfim, à comunhão de todos
os santos e com todos nos alegrarmos. A assembleia dos primogênitos aguarda-nos
e nós parecemos indiferentes! Os santos desejam-nos e não fazemos caso; os justos
esperam-nos e esquivamo-nos.
Animemo-nos, enfim, irmãos.
Ressuscitemos com Cristo. Busquemos as realidades celestes. Tenhamos gosto
pelas coisas do alto. Desejemos aqueles que nos desejam. Apresemo-nos ao
encontro dos que nos aguardam. Antecipemo-nos pelos votos do coração aos que
nos esperam. Seja-nos um incentivo não só a companhia dos santos, mas também a
sua felicidade. Cobicemos com fervoroso empenho também a glória daqueles cuja
presença desejamos. Não é má esta ambição nem de nenhum modo é perigosa à
paixão pela glória deles.
O segundo desejo que brota em nós
pela comemoração dos santos consiste em que Cristo, nossa vida, tal como a
eles, também apareça a nós e nós juntamente com ele apareçamos na glória.
Enquanto isso não sucede, nossa Cabeça não como é, mas como se fez por nós, se
nos apresenta. Isto é, não coroada de glória, mas como com os espinhos de
nossos pecados. É uma vergonha fazer-se de membro regalado, sob uma cabeça
coroada de espinhos. Por enquanto a púrpura não lhe é sinal de honra, mas de
zombaria. Será sinal de honra quando Cristo vier e não mais se proclamará sua
morte, e saberemos que nós estamos mortos com ele, e com ele escondida nossa
vida. Aparecerá a Cabeça gloriosa e com ela refulgirão os membros glorificados,
quando transformar nosso corpo humilhado, configurando-o à glória da Cabeça que
é ele mesmo.
Com inteira e segura ambição
cobicemos esta glória. Contudo para que nos seja lícito espera-la e aspirar a
tão grande felicidade, cumpre-nos desejar com muito empenho a intercessão dos
santos. Assim, aquilo que não podemos obter por nós mesmos, seja-nos dado por
sua intercessão.
-- Dos sermões de São Bernardo,
abade (Século XII).
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