segunda-feira, 27 de setembro de 2010

"CONFLITOS FAMILIARES"




Norma Emiliano
Os conflitos são inerentes ao processo de evolução dos seres humanos.
A relação em família é complexa, pois cada ser humano é singular em relação a sua história, temperamento, idade, composição genética, etc.. No jogo relacional há alianças e luta pelo poder.
Nos diversos relacionamentos, as diferenças individuais quanto às percepções e necessidades emergem, pois cada pessoa forma a sua própria percepção e tem necessidades num determinado momento. Essas diferenças no contexto relacional tornam-se as bases dos conflitos.
As diferenças, comumente, não são percebidas como oportunidades de enriquecimento e acabam sendo usadas de modo destrutivo. Assim, a diferença que leva a um conflito de interesse (discordância) é percebida como insulto e/ou desamor.
O casal ao interagir com os filhos influência na construção de suas identidades, bem como transmite-lhes modelos de relacionamento que serão levados para todas as áreas de suas vidas: amizade, profissional, amor, etc.
É vital ao bom ambiente familiar que o casal possua uma forte aliança, saiba lidar com seus conflitos, colabore entre si e satisfaça necessidades mútuas. Por outro lado, é importante também que em suas funções de pais, exista apoio à autoridade de cada um dos cônjuges com relação aos filhos.
Pode-se encontrar em qualquer relacionamento permanente, seja ele conjugal, entre pais e filhos, a família como um todo, ou relacionamento da família com outros sistemas sociais, formas de conflitos submersos, não resolvidos. Esse tipo de conflito pode acarretar distância emocional, disfunção física ou psicológica, ou envolvimento em uma aventura amorosa.
Quando há questões mal resolvidas entre o casal, uma ou mais crianças se envolvem no conflito marital, com a função de distrair os pais do conflito. Essa criança fica muito próxima de um ou ambos os pais, e as fronteiras entre as gerações são rompidas. Há uma excessiva dependência mútua e a autonomia da criança e dos pais torna-se limitada.
A falta de comunicação, somada à dificuldade para resolver problemas em conjunto são fatores negativos na criação dos filhos. As divergências dos pais, veladas ou abertas, em relação à educação dos filhos, os deixam confusos e, com freqüência, as crianças usam de manipulações, jogando os pais um contra o outro.
Os conflitos tornam–se mais fáceis de serem enfrentados quando ambos os parceiros compreendem as questões e suas origens. Para tal é necessário cada um entender e aceitar os seus próprios medos, valores, expectativas e proteções e também as do parceiro. Torna-se necessário ter clareza da ligação entre o presente e o passado. A percepção desta conexão possibilita que não se fique apenas repetindo padrões relacionais antigos, ou seja, dando respostas antigas a situações novas, levando para o casamento e para a nova família uma repetição do relacionamento anterior com os seus próprios pais.
Os relacionamentos adultos transferem, quase sem alterações, as características de disputas de poder entre pais e filhos, que cada um dos parceiros anteriormente tivera. Por exemplo, na luta pelo poder, pode-se observar que a mãe, normalmente é a detentora do controle no dia-a-dia; assim, tanto as meninas quanto os meninos podem resistir a isso. Quando adultas, as mulheres podem assumir esse mesmo papel, enquanto os homens transferem resistência às suas mulheres. Nesta luta pelo poder geram-se conflitos. Uma crise séria pode ser o ponto de partida para interromperr esse círculo vicioso. Mas uma estratégia duradoura é poder enfrentar os fantasmas do passado.

Veja mais artigos sobre relacionamento familiar no Portal da Família

Norma Emiliano é Terapeuta Individual, Casal e Família, e Assistente Social, e mantém a homepage Pensando em Família.
( http://www.pensandoemfamilia.com.br)
Publicado no Portal da Família em 05/10/2008

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

"Encontros Provínciais" (datas)

Província Leste - 15 a 17 de outubro
Província Sul II - 15 a 17 de outubro
Província Nordeste - 22 a 24 de outubro
Província Sul I - 05 a 07 de novembro
Província Sul III - 05 a 07 de novembro
Província Norte - 05 a 07 de novembro
Província Centro-Oeste - 05 a 07 de novembro

terça-feira, 21 de setembro de 2010

"Quero papai e mamãe em casa!"


Escrito por: Maria Luisa Estrada de Vélez.
Autora do Programa Protege tu Corazón.
Traduzido e adaptado por: Dora Porto.

Qualidade ou quantidade? O que querem os filhos?
Será possível? Em apenas 49 minutos???
Assistir um filme, assistir a uma aula, fazer um pouco de exercício, tomar um café e ler o jornal, arrumar-se para sair, comer, jantar, entrar no Facebook ou algum Chat?
A duras penas...
Pois bem, este é o tempo que as famílias inglesas conseguem estar reunidas a cada dia segundo uma pesquisa realizada por ocasião da National Family Week ente 3.000 pais e 1.000 filhos.
75% dos pais ingleses valorizam a convivência familiar frente a 4% que diz que o mais importante em suas vidas é o dinheiro. No entanto 20% atribui o escasso tempo ao stress, outros 32% ao horário de trabalho e 36% à prioridade de ganhar mais dinheiro.
No programa Protege tu Corazón damos uma sessão chamada “ Minha família oportunidade para crescer” para alunos entre 10 e 13 anos de idade. Depois de descrever os fatores que mantém uma família unida, propõe-se aos adolescentes a pensar: Quanto tempo passamos juntos? Cada aluno avalia os minutos ou horas que passa por dia conversando, brincando, vendo TV, lendo, passeando com sua mãe ou seu pai, fazendo algo com seus irmãos se os tem.
Em geral levam um bom tempo para respondê-lo e surgem comentários como: “ com meu pai nunca estou, porque não mora conosco”, ou “ meu pai viaja muito”, ou “ minha mãe trabalha o dia inteiro e eu a vejo pouco”, etc. Numa ocasião uma menina disse: “ eu vejo meu pai 23 segundos por dia e explicou: quando ele chega em casa costuma já estar deitada, então ele chega à porta do quarto, me olha, arruma minhas cobertas e logo se vai. Eu fingindo estar dormindo contabilizei: 23 segundos!!!”
Quantidade ou qualidade?
60% dos pais pesquisados considera que dar aos filhos tempo de boa qualidade está unido a gastar dinheiro. Desse modo muitos justificam o trabalho duro para depois fazer uma viagem, ou passar um dia completo num grande Parque de diversões. O curioso é que 2 em cada 3 crianças prefere estar mais tempo com seus pais mas em casa,do que fazer algo extraordinário. A eterna discussão se é melhor a qualidade que a quantidade, para essas crianças está clara. Querem papai e mamãe em casa, todos os dia, não como uma evento especial e esporádico.
Kim Clark que foi Decano da Escola de Negócios de Harvard dizia aos seus alunos recém formados: “ Nenhum sucesso nos negócios compensa as falhas com suas família. O trabalho mais importante vocês farão dentro dos muros de seus lares. Meu principal conselho é que invistam primeiro na família”.
Vale a pena reconsiderar as coisas. Determinar uma hora para sair do trabalho, e estabelecer prioridades. Dinheiro para comprar coisas para os filhos? Melhor é arrumar tempo para estar com eles. As coisas passam, perdem-se, se gastam, mas as lembranças vividas juntos a seus pais ficam gravadas para sempre.
Pessoalmente lembro-me de meus pais lendo, fazendo escultura, pintando, escutando música, organizando a biblioteca. Nos fins de semana aprendíamos a fazer pipas, ou uns cintos de couro que fazíamos com eles. Compravam os materiais e nos ensinavam com paciência enquanto nos divertíamos. Estar aí era o segredo e a alegria dos filhos!
A presença em casa implica estar disponíveis, ainda que ao mesmo tempo se possa fazer alguma atividade. Não é incompatível. Ler um livro, consertar alguma coisa, trocar uma lâmpada, preparar o almoço, conversar sobre os acontecimentos diários, comer juntos, ajudar os filhos numa tarefa, ver um programa de TV juntos. Não significa fazer coisas especiais a cada dia. É o o dia a dia o que mais preenche e o que deixa uma marca na formação do caráter dos filhos. Há muitas atividades que não requerem dinheiro, mas, se requer vencer um pouco o comodismo pessoal em favor da família.
Os filhos nos estão recordando: queremos papai e mamãe em casa todos os dias!

Enviado por Dom Bento Albertin,OSB

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Retiro Anual-Setor Lagos 2010

(Clique em cima da foto para visualizar todo o álbum)


Retiro Anual do Setor Lagos-2010

De forma bastante criativa, mas com muita profundidade, Dom Bento de Lyra Albertin, OSB, abordou o Tema de Estudo deste ano, “Casamento, Sacramento do dia a dia”, proposto para o Retiro Anual do Setor Lagos, realizado no final de semana passado, dias 11 e 12 de setembro, no Hotel Vilarejo Praia, na cidade de Rio das Ostras, próxima a Cabo Frio.
Discorreu sobre o assunto utilizando-se do livro, “O Pequeno Príncipe”, do autor Antoine de Saint Exupéry, levando os casais a refletirem sobre a vida conjugal, mostrando-nos a necessidade de tolerarmos “pacientissimamente”, como dizia São Bento, nossas fraquezas, quer do corpo quer do caráter, aceitando o outro como ele é, e não como gostaríamos. Falou-nos sobre a necessidade de cativar, criar laços com o outro, e deu-nos o segredo para vencermos as dificuldades diárias, como a falta de diálogo, a falta de tempo e a falta de afeto e gratidão: “Viver os PCE’s.”
Além das pregações, divididas em três Conferências, participamos de momentos de grande espiritualidade nas celebrações e orações por ele conduzidas.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

"RETIRO ANUAL" (Formação)


FORMAÇÃO (Retiro Anual)

Evangelho segundo S. Lucas 6,12-19.

Naqueles dias, Jesus foi para o monte fazer oração e passou a noite a orar a Deus. Quando nasceu o dia, convocou os discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu o nome de Apóstolos: Simão, a quem chamou Pedro, e André, seu irmão; Tiago, João, Filipe e Bartolomeu; Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado o Zelote; Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, que veio a ser o traidor.
Descendo com eles, deteve-se num sítio plano, juntamente com numerosos discípulos e uma grande multidão de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e de Sídon, que acorrera para o ouvir e ser curada dos seus males. Os que eram atormentados por espíritos malignos ficavam curados; e toda a multidão procurava tocar-lhe, pois emanava dele uma força que a todos curava.

«Jesus foi para o monte fazer oração e passou a noite a orar a Deus»

Os contemplativos e os ascetas de todos os tempos e de todas as religiões sempre procuraram a Deus no silêncio, na solidão dos desertos, das florestas, das montanhas. O próprio Jesus viveu quarenta dias em absoluta solidão, passando longas horas num coração a coração com o Pai, no silêncio da noite.
Nós próprios somos chamados a retirar-nos a espaços para um silêncio mais profundo, para um isolamento com Deus; a estar a sós com Ele, não com os nossos livros, os nossos pensamentos, as nossas recordações, mas num despojamento perfeito; a permanecer na Sua presença – silenciosos, vazios, imóveis, expectantes.
Não podemos encontrar a Deus no barulho, na agitação. Veja-se na natureza: as árvores, as flores e a erva dos campos crescem em silêncio; as estrelas, a lua, o sol movem-se em silêncio. O essencial não é o que possamos dizer mas o que Deus nos diz e o que Ele diz a outros através de nós. Ele escuta-nos no silêncio; no silêncio fala às nossas almas. No silêncio é-nos dado o privilégio de escutar a Sua voz:

Silêncio dos nossos olhos.
Silêncio dos nossos ouvidos.
Silêncio das nossas bocas.
Silêncio dos nossos espíritos.
No silêncio do coração, Deus falará.

Comentário ao Evangelho feito por :
Bem-aventurada Teresa de Calcutá (1910-1997), Fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

"Setembro - Mês da Bíblia"


Testamento de amor!

Nela, vamos encontrar os desejos e as intenções de Deus para conosco
"Não só de pão vive o homem, mas de toda Palavra que procede da boca de Deus" (Mateus 4,4).

A "Bíblia é o Livro dos livros. É a obra mais conhecida em todo o planeta. Também conta com o maior número de traduções dentre todas as obras existentes e está presente no maior número de nações. No entanto, nem sempre nos relacionamos com ela do jeito mais ideal. Estamos no início do mês de setembro, o conhecido e celebrado Mês da Bíblia. É mais uma oportunidade para examinarmos nossa vida e vermos qual é o valor que estamos dando a este livro tão especial e tão importante para todos os que seguem a Jesus, como Caminho, Verdade e Vida.

Bíblia: Testamento de amor!
Este livro é um verdadeiro testamento. E o que é um testamento? É uma carta na qual se colocam as coisas mais íntimas, mais sinceras e mais profundas. É onde se fala com o coração e são relatados os "últimos" desejos de alguém. É onde o pai "divide" os bens entre os filhos e amigos. É o meio pelo qual nós fazemos pedidos e recomendações.

A Bíblia é o Testamento de Amor, a Carta de Amor que Deus Pai deixou para toda a humanidade. É nela que nós vamos encontrar os desejos e as intenções de Deus para conosco. É nela que podemos encontrar as recomendações e os tesouros que Deus tem para nos oferecer. Se nós não abrirmos a ela e não lermos esta "Carta de Amor", não ficaremos sabendo da amizade íntima que Deus quer ter conosco "desde o nascer ao pôr-do-sol".

Pedindo sempre a luz do Espírito Santo e vencendo toda e qualquer preguiça, busquemos ler com fé o Livro Sagrado. E a cada letra, a cada palavra, vamos perceber e ouvir a Voz de Deus que fala ao nosso coração. Nenhuma pessoa consegue sobreviver sem "arroz e feijão", ou seja, sem alimento. Da mesma forma que nenhum seguidor do Senhor consegue viver sem o Alimento da Palavra. Quanto mais intimidade tivermos com ela, tanto mais intimidade teremos com o próprio Senhor. E aí veremos as graças acontecerem como verdadeiros rios de Água Viva, porque a Bíblia é o grande, único e verdadeiro Testamento de Amor.
Fonte: Canção Nova

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Colegiado Nacional-2010


Veja as fotos do "Colegiado Nacional das Equipes de Nossa Senhora", realizado nos dias 20, 21 e 22 de agosto, no Centro de Pastoral Santa Fé, em São Paulo. (Clique em cima da foto para visualizar o álbum de fotografias)
Veja também, ao lado, as fotos da "Missa em Ação de Graças pelo Dia dos Pais".

terça-feira, 24 de agosto de 2010

"A FOGUEIRA E O RIACHO"

Existiu em épocas passadas, um sábio muito famoso. Certo dia, um de seus filhos disse que já era tempo de sair de casa e procurar viver sozinho sua vida, através de seu próprio esforço e conhecimento.
O sábio, ouvindo o pedido de seu filho, disse que iria refletir e depois lhe daria a resposta. Algum tempo depois, chamou o rapaz e disse que, naquela noite, iriam para um campo não muito distante do local onde moravam e onde existia um pequeno riacho.

O filho concordou com o pai e foi separar alguns pertences para aquela noite fora de casa. Separou os alimentos, água e abrigo para o frio da noite. No final da tarde, partiram para a aventura. No local escolhido pelo pai, resolveram, então, instalar-se e, imediatamente, o filho pôs-se a fazer uma fogueira onde seria feito o jantar e também serviria de abrigo e luz.


Quando as chamas já estavam altas, o sábio disse ao filho que observasse bem aquele fogo e que no dia seguinte iriam conversar. O rapaz, sem entender muito o que o pai queria dizer, ficou a observar o fogo atentamente e a pensar naquilo que ouviu. Com o passar das horas e com a chegada do cansaço, sem chegar a uma conclusão, ele adormeceu.
Já de manhã, o sábio questionou o filho sobre o que conversaram na noite anterior e, sem obter resposta disse:
_ Filho, observe aquela fogueira que fizemos e este pequeno riacho. Ainda ontem, a fogueira estava forte, protegeu-nos do frio e deu-nos luz com suas chamas que tudo consomem. Com o passar do tempo, seu fogo foi ficando fraco e agora só restam cinzas que de nada servem.
_ Já o riacho segue seu caminho tranquilo, servindo de moradia para animais aquáticos, sendo útil para as plantações nos locais onde passa e fornecendo água, que é fonte de vida. Certamente, filho, este riacho teve sua nascente em alguma montanha próxima daqui e irá juntar-se a outros riachos, também pequenos e tranqüilos e a tantos outros rios e, assim, caminharão juntos até seu objetivo final que é o oceano.
O rapaz ouviu as explicações de seu sábio pai, e compreendeu que às vezes, ser grande e forte como o fogo, que tudo consome, de nada adianta se estiver sozinho. O fogo se apaga com o tempo. Mas se for pequeno e tranquilo como o riacho, caminhando e se unindo aos outros, mesmo que tímido, mas estando e agindo em COMUNIDADE, seu esforço será menor e conseguirá maiores conhecimentos para atingir seus objetivos.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Vocês sabem o que seus filhos andam fazendo?


Meu filho de 15 anos estuda numa escola em que estudam os filhos da nata da sociedade, empresários, artistas, intelectuais da Zona Sul carioca. Escrevo sob pseudônimo para poupá-lo e não identificar os jovens que são objeto deste artigo.
Eis o que aconteceu.
Um ano após experiência traumática em minha casa, onde ofereci uma festa para 150 jovens, algo mais sério aconteceu. O trauma foi pelo fato de que muitos dos convidados entraram na festa já bêbados, trazendo, escondidas na roupa, garrafas de vodca, gerando uma situação que nunca poderia esperar numa festa de 14 anos! Apesar de os seguranças e garçons terem confiscado algumas garrafas, outras passaram. Apesar de terem reprimido, o cheiro de maconha subia. Encerrei a festa mais cedo. Saldo: lixo espalhado por todos os cantos; pias e privadas entupidas por vômitos; objetos destruídos. Chocante! Foi minha primeira experiência concreta com essa juventude criada sem limites, que tem tornado a vida de profissionais que com ela lidam, como professores e empregados domésticos, um verdadeiro inferno.
Na ocasião, meu filho compreendeu que eu vetasse qualquer nova festa em casa. Um ano depois, no entanto, uma amiga próxima o convenceu (e ele a mim) a oferecer a casa para uma "social" com 15 pessoas.
Apesar de convalescente de uma doença séria, aceitei aquele número de colegas para um papo, com som baixo e bom comportamento prometidos. Tive que fazer uma visita emergencial ao médico naquela noite de sexta-feira.
Na volta, meu filho estava nervoso: a coisa tinha saído de controle e mais de 40 jovens haviam entrado. Minha irmã e os empregados que me substituíram estavam também assustados. Meu filho me explicou que a tal "amiga" havia convidado as pessoas sem seu conhecimento e muitas delas ele nem conhecia.
As conversas e castigos, para que ele entendesse o tamanho de sua responsabilidade, foram duros. Ele conhece bem os limites impostos por uma educação baseada em princípios éticos e morais. Mas muito mais duro foi ele ter que lidar com a decepção de ter sido usado e manipulado pela menina e de romper com alguns outros conhecidos.
Mas são os fatos que interessam: o encontro começou às 21h30min e eu cheguei às 23 h. Nesse intervalo, o que esses jovens fizeram foi inimaginável no zoológico. Após a tentativa totalmente fracassada de meu filho comunicar que a reunião acabaria, pois a mãe estava muito doente, resolvi intervir. Disse a mesma coisa em voz alta para todos, pedindo que se fossem. Nada.
Aos poucos fui percebendo o nível de destruição e de lixo e ficando crescentemente alterada, até que, apesar de recém-saída de uma cirurgia no coração, expulsei todos da casa aos berros. Eles não se intimidaram. Fizeram algazarra na porta até uma hora da manhã. A uma determinada altura, notei que a porta do quarto de meu filho estava trancada. Batemos, eu e ele, insistindo para que quem quer que estivesse lá abrisse a porta.
Era a tal "amiga", na cama de meu filho com um cara.
Eu, meu filho e um amigo, chocados, contabilizamos o estrago: do salão, onde a maior bagunça tinha ocorrido, tiramos dois sacos grandes de lixo espalhado, os móveis, cortinas e o chão estavam encharcados, pisoteados, imundos; brinquedos de meu neto jogados nos canteiros do jardim. Na sala de estar, um quadro a óleo estava com duas mossas e uma escultura de vidro quebrada (por um soco proposital, vim a saber).
Apenas dois pais vieram resgatar seus filhos. Perguntaram o que havia acontecido. Meu ex-marido, que veio me ajudar, respondeu: pergunte a eles. O que terão eles contado aos pais? E os outros que saíram sozinhos por aí, pegaram táxis, foram para outros lugares? E você? Sabe o que seu filho anda fazendo por aí?
Vera Ferreira é empresária.
Publicado no jornal O Globo, sexta-feira, 13/08/2010

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

"A graça de ser só."


Ando pensando no valor de ser só. Talvez seja por causa da grande polêmica que envolveu a vida celibatária nos últimos dias. Interessante como as pessoas ficam querendo arrumar esposas para os padres. Lutam, mesmo que não as tenhamos convocado para tal, para que recebamos o direito de nos casar e constituir família.
Já presenciei discursos inflamados de pessoas que acham um absurdo o fato de padre não poder casar.
Eu também fico indignado, mas de outro modo. Fico indignado quando a sociedade interpreta a vida celibatária como mera restrição da vida sexual. Fico indignado quando vejo as pessoas se perderem em argumentos rasos, limitando uma questão tão complexa ao contexto do "pode ou não pode".
A sexualidade é apenas um detalhe da questão. Castidade é muito mais. Castidade é um elemento que favorece a solidão frutuosa, pois nos coloca diante da possibilidade de fazer da vida uma experiência de doação plena. Digo por mim. Eu não poderia ser um homem casado e levar a vida que levo. Não poderia privar os meus filhos de minha presença para fazer as escolhas que faço. O fato de não me casar não me priva do amor. Eu o descubro de outros modos. Tenho diante de mim a possibilidade de ser dos que precisam de minha presença. Na palavra que digo, na música que canto e no gesto que realizo, o todo de minha condição humana está colocado. É o que tento viver. É o que acredito ser o certo.
Nunca encarei o celibato como restrição. Esta opção de vida não me foi imposta. Ninguém me obrigou ser padre, e quando escolhi o ser, ninguém me enganou. Eu assumi livremente todas as possibilidades do meu ministério, mas também todos os limites. Não há escolhas humanas que só nos trarão possibilidades. Tudo é tecido a partir dos avessos e dos direitos. É questão de maturidade.
Eu não sou um homem solitário, apenas escolhi ser só. Não vivo lamentando o fato de não me casar. Ao contrário, sou muito feliz sendo quem eu sou e fazendo o que faço. Tenho meus limites, minhas lutas cotidianas para manter a minha fidelidade, mas não faço desta luta uma experiência de lamento. Já caí inúmeras vezes ao longo de minha vida. Não tenho medo das minhas quedas. Elas me humanizaram e me ajudaram a compreender o significado da misericórdia. Eu não sou teórico. Vivo na carne a necessidade de estar em Deus para que minhas esperanças continuem vivas. Eu não sou por acaso. Sou fruto de um processo histórico que me faz perceber as pessoas que posso trazer para dentro do meu coração. Deus me mostra. Ele me indica, por meio de minha sensibilidade, quais são as pessoas que poderão oferecer algum risco para minha castidade. Eu não me refiro somente ao perigo da sexualidade. Eu me refiro também às pessoas que querem me transformar em "propriedade privada". Querem depositar sobre mim o seu universo de carências e necessidades, iludidas de que eu sou o redentor de suas vidas.
Contra a castidade de um padre se peca de diversas formas. É preciso pensar sobre isso. Não se trata de casar ou não. Casamento não resolve os problemas do mundo.
Nem sempre o casamento acaba com a solidão. Vejo casais em locais públicos em profundo estado de solidão. Não trocam palavras, nem olhares. Não descobriram a beleza dos detalhes que a castidade sugere. Fizeram sexo demais, mas amaram de menos. Faltou castidade, encontro frutuoso, amor que não carece de sexo o tempo todo, porque sobrevive de outras formas de carinho.
É por isso que eu continuo aqui, lutando pelo direito de ser só, sem que isso pareça neurose ou imposição que alguém me fez. Da mesma forma que eu continuo lutando para que os casais descubram que o casamento também não é uma imposição. Só se casa aquele que quer. Por isso perguntamos sempre "É de livre e espontânea vontade que o fazeis?" É simples. Castos ou casados, ninguém está livre das obrigações do amor. A fidelidade é o rosto mais sincero de nossas predileções.
A graça desça sobre cada um de vocês meus filhos!
Em nome do Pai , do Filho e do Espirito Santo. AMÉM!
Padre Fábio de Melo

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

"ORAÇÃO DE UM PAI"


Ajuda-me, Senhor, na missão de ser pai, quando pesam as preocupações pessoais e os problemas da profissão, que eu possa dar à minha família o bem-estar e a tranqüilidade.

Ajuda-me, Senhor, na missão de ser pai, para que eu realize o diálogo com minha esposa e meus filhos. Que eu seja aberto para ouvir, humilde para propor, sábio para decidir e corresponsável para realizar.

Ajuda-me, Senhor, na missão de ser pai, para que eu saiba descobrir os valores de minha esposa e os talentos de meus filhos e os ajude a desenvolvê-los. Que eu saiba corrigir com amor, sem destruir nem humilhar.

Ajuda-me, Senhor, na missão de ser pai, para que eu defenda a dignidade do meu lar contra a imoralidade e a permissividade, vivendo o amor com fidelidade e construindo a união que faz o lar feliz.

Ajuda-me, Senhor, na missão de ser pai, para que eu possa ser sempre um testemunho de fé em Deus, coragem nas dificuldades, paciência nas provações e esperança na dor;e pelo apostolado familiar, ajude outras famílias a serem mais felizes.

Finalmente, ajuda-me,Senhor, na missão de ser pai, para que eu creia firmemente que a grandeza da paternidade, assim vivida, não termina nem mesmo com a morte,porque os seus frutos são eternos.

Amém.