sábado, 12 de abril de 2014

ORAÇÃO DA MANHÃ

Pe. Flávio Cavalca de Castro, redentorista.
Oração da Manhã
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor.
Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade.
Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém.

Evangelho (Jo 11,45-56) “Muitos viram o que Jesus fizera, e creram nele. Alguns, porém, foram ter com os fariseus e contaram o que Jesus tinha feito.”
Todos viram que Lázaro, morto havia quatro dias, voltara à vida. Alguns, diante do milagre, acreditaram que Jesus era o enviado de Deus. Outros entenderam apenas que Jesus estava enganando o povo. Em nossa vida religiosa, familiar ou social, todos estamos diante da mesma realidade. Mas acabamos vendo o que queremos. Que nos libertemos, o mais possível, das ideias preconcebidas.
Oração
Senhor Jesus, preciso estar sempre aberto para a verdade, sem me enganar com as aparências e as ideias prontas. Dai-me sabedoria e prudência, que me ajudem a discernir o que devo pensar, querer e procurar. Ensinai-me a supor antes o bem que o mal, sendo tolerante e moderado ao interpretar as palavras e atitudes de meus irmãos. Fazei que o amor me guie para a verdade. 

Amém.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Matrimônio Cristão





"O matrimônio é um trabalho de ourivesaria que se constrói todos os dias ao longo da vida. O marido ajuda a esposa a amadurecer como mulher, e a esposa ajuda o marido a amadurecer como homem. Os dois crescem em humanidade e esta é a principal herança que deixam aos filhos!"

Papa Francisco.

sábado, 8 de março de 2014

AMOR



Love is when you fall in love the same person every day as if it were the first time.

Amor es cuando te enamoras de la misma persona todos los días como si fuera la primera vez.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Mc 10, 1-12


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

ENCONTRO ANUAL DE CASAIS RESPONSÁVEIS DE EQUIPE-2014


Vejam ao lado, as fotos do "EACRE-2014", Encontro Anual de Casais Responsáveis de Equipe, realizado nos dias 22 e 23 de fevereiro, no Colégio Salesianos Santa Rosa, situado em Niterói.
O EACRE contou também com a participação dos Casais Ligação e Sacerdotes Conselheiros Espirituais. 


(Clique em cima da foto, para visualizar o álbum)

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

DIÁLOGO DO PAPA FRANCISCO COM OS NOIVOS


Praça São Pedro – Vaticano
14/2/14

1ª Pergunta : O medo do “para sempre”

Santidade, muitos, hoje, pensam que prometer fidelidade para toda a vida é um compromisso muito difícil. Muitos sentem que o desafio de viver juntos para sempre é bonito, fascinante, mas muito exigente, quase impossível. Pedimos que sua palavra possa nos iluminar sobre esse aspecto.

É importante perguntar se é possível amar “para sempre”. Hoje, muitas pessoas têm medo de fazer escolhas definitivas, por toda a vida, parece impossível. Hoje, tudo está mudando rapidamente, nada dura muito tempo. E essa mentalidade leva muitos, que estão se preparando para o matrimônio, a dizer: “estamos juntos enquanto durar o amor.” Mas o que entendemos por “amor”? Apenas um sentimento, uma condição psicofísica? Certo, se é isso, você não pode construir em algo sólido. Mas se o amor é um relação, então é uma realidade que cresce, e nós podemos ter como exemplo o modo como é construída uma casa.
A casa se constrói juntos, e não sozinhos! Construir aqui significa favorecer e ajudar o crescimento. Caros noivos, vocês estão se preparando para crescer juntos, para construir esta casa, para viver juntos para sempre. Não queiram fundá-la sobre a areia dos sentimentos que vêm e vão, mas sobre a rocha do amor verdadeiro, o amor que vem de Deus. A família nasce desse projeto de amor que quer crescer como se constrói uma casa, que seja lugar de afeto, ajuda, esperança e apoio. Como o amor de Deus é estável e para sempre, assim também o amor que funda a família queremos que seja estável e para sempre. Não devemos nos deixar vencer pela “cultura do provisório”!
Portanto, como se cura esse medo do “para sempre”? Cura-se dia por dia, confiando-se ao Senhor Jesus em uma vida, que se torna um caminho espiritual diário, composto por etapas, crescimento comum, o compromisso de se tornarem homens maduros e mulheres de fé. Porque, caros noivos, o “para sempre” não é apenas uma questão de tempo! Um matrimônio não é apenas bem sucedido se dura, mas é importante a sua qualidade. Estar juntos e saber amar para sempre é o desafio de esposos cristãos.
Vem-me à mente o milagre da multiplicação dos pães: também para vocês, o Senhor pode multiplicar o vosso amor e dá-lo fresco e bom todos os dias. Ele tem uma fonte infinita! Ele vos dá o amor que é o fundamento de vossa união e cada dia o renova, o fortalece. E o torna ainda maior quando a família cresce com os filhos. Neste caminho, é importante e necessária a oração. Peçam a Jesus para multiplicar o vosso amor. Na oração do Pai-Nosso nós dizemos: “Dá-nos, hoje, o nosso pão cotidiano”. Os esposos podem aprender a rezar assim: “Senhor, dá-nos hoje o nosso amor cotidiano”, ensina-nos a amar, a querer bem um ao outro! Quanto mais vocês se confiarem a Ele, mais o amor de vocês será “para sempre”, capaz de se renovar-se e vencer todas as dificuldades.

2ª Pergunta : Viver juntos: o “estilo” da vida matrimonial

Santidade, viver juntos todos os dias é belo, dá alegria, sustenta. Mas é um desafio a ser enfrentado. Acreditamos que devemos aprender a nos amar. Há um “estilo” de vida conjugal, uma espiritualidade do cotidiano que queremos aprender. O Senhor pode nos ajudar nisso, Santo Padre?

Viver junto é uma arte, um caminho paciente, bonito e fascinante. Ela não termina quando vocês conquistam um ao outro… Na verdade, é precisamente aí que se inicia! Esse caminho de cada dia tem regras que podem ser resumidas em três palavras, que eu já disse para às famílias, e que vocês já podem aprender a usar entre vós: Permissão, obrigado e desculpa.
“Posso?”. É um pedido gentil para poder entrar na vida de outra pessoa com respeito e atenção. É preciso aprender a pedir: Eu posso fazer isso? Agrada a você que façamos isso? Tomamos essa iniciativa para educar nossos filhos? Você quer sair essa noite?… Em suma, significa ser capaz de pedir permissão para entrar na vida dos outros com gentileza.
Às vezes, usa-se modos um pouco “pesados”, como as botas de montanha! O verdadeiro amor não se impõe com dureza e agressividade. Nos escritos de Francisco, encontra-se essa expressão: “Saibam que a gentileza é uma das propriedades de Deus, é irmã da caridade, que apaga o ódio e conserva o amor” (cap. 37). Sim, a gentileza preserva o amor. E, hoje, em nossas famílias, em nosso mundo, muitas vezes violento e arrogante, nós precisamos muito de gentileza.
“Obrigado”. Parece fácil pronunciar esta palavra, mas sabemos que não é assim… Mas é importante! Nós a ensinamos às crianças, mas, depois, a esquecemos! A gratidão é um sentimento importante. Lembram-se do Evangelho de Lucas? Jesus cura dez leprosos e, em seguida, apenas um volta para Lhe agradecer. O Senhor diz: e os outros nove, onde estão? Isso vale também para nós: sabemos agradecer? No relacionamento de vocês, e amanhã na vida conjugal, é importante para manter viva a consciência de que a outra pessoa é um dom de Deus, e dar graças sempre. Nessa atitude interior, agradecer por tudo. Não é uma palavra amável para usar com estranhos, para ser educado. É necessário saber dizer ‘obrigado’ para caminhar bem juntos.
“Desculpe”. Na vida nós cometemos tantos erros, tantos enganos. Todos nós. Talvez, haja um dia em que nós não façamos algo errado. Eis, então, a necessidade de usar esta simples palavra: “desculpe”.
Em geral, cada um de nós está pronto para acusar os outros e nos justificarmos. É um instinto que está na origem de muitos desastres. Aprendamos a reconhecer nossos erros e a pedir desculpas. “Desculpe-me se eu levantei a voz”. ” Desculpe-me se eu passei sem cumprimentá-lo; desculpe-me pelo atraso; desculpe-me por estar tão silencioso esta semana; se eu falei muito e não te ouvi; desculpe-me se eu esqueci”. Também assim cresce uma família cristã.
Nós todos sabemos que não há família perfeita, e até mesmo o marido perfeito ou a esposa perfeita. Existimos nós, os pecadores. Jesus, que nos conhece bem, nos ensinou um segredo: nunca terminar um dia sem pedir perdão, sem que a paz retorne à nossa casa, à nossa família. Se aprendermos a pedir perdão e a nos perdoar, o matrimônio irá durar, irá em frente.

3ª Pergunta: O estilo da celebração do Matrimônio

Santidade, nestes meses, estamos nos preparativos para o nosso casamento. O senhor pode nos dar algum conselho para celebrar bem o nosso matrimônio?

Façam de um modo que seja uma verdadeira festa, uma festa cristã, não uma festa social! A razão mais profunda da alegria desse dia nos indica o Evangelho de João: vocês se recordam o milagre das bodas de Caná? Em um certo momento, o vinho faltou e a festa parecia arruinada. Por sugestão de Maria, naquele momento, Jesus se revela pela primeira vez e realiza um sinal: transforma a água em vinho e, assim, salva a festa de núpcias.
O que aconteceu em Caná há dois mil anos acontece, na realidade, em cada festa de núpcias: o que fará pleno e profundamente verdadeiro o matrimônio de vocês será a presença do Senhor que se revela e dá a sua graça. É a sua presença que oferece o “vinho bom”, é Ele o segredo da alegria plena, que realmente aquece o meu coração.
Ao mesmo tempo, no entanto, é bom que o matrimônio de vocês seja sóbrio e faça sobressair o que é realmente importante. Alguns estão mais preocupados com os sinais exteriores, com o banquete, fotografias, roupas e flores… São coisas importantes em uma festa, mas somente se forem capazes de apontar o verdadeiro motivo da alegria de vocês: a bênção do Senhor sobre o amor de vocês. Façam de modo que, como o vinho em Caná, os sinais exteriores da festa revelem a presença do Senhor e recorde a vocês e a todos os presentes a origem e o motivo de vossa alegria.


FONTE: Boletim de Imprensa da Santa Sé

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

FAMÍLIA: LUGAR DE ACOLHIDA E DESENVOLVIMENTO DA PESSOA

João Carlos Petrini

Dom João Carlos Petrini,é bispo auxiliar de Salvador (BA). É, sociólogo, e diretor do núcleo de Salvador do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família

Segundo João Carlos Petrini, a família ainda continua sendo o espaço da convivência humana que determina toda a vida da pessoa. Desta forma, os relacionamentos familiares definem o “rosto” com o qual cada um participa dos demais ambientes.
A família é um espaço de convivência humana ao qual cada membro pertence. Ela constitui uma rede de relacionamentos, que definem o “rosto” com o qual cada um participa dos diversos ambientes que cotidianamente freqüenta, com o qual encontra as outras pessoas. Para um filho recém-nascido, pertencer a pai e mãe é uma questão decisiva para o seu desenvolvimento físico e psíquico. Mas, durante todo o arco da existência, pertencer a uma realidade maior do que si próprio é, de maneira análoga, fundamental para a pessoa.
Pertencer a um conjunto de pessoas, que constituem uma família, por meio de vínculos complexos e profundos, realiza a pessoa como pai ou mãe, como esposo ou esposa, como filho ou filha, como irmão ou neto ou avô, como homem e como mulher. Os vínculos de pertença, todavia, foram, muitas vezes, motivo de opressão e abusos nas relações familiares. Afirmou-se progressivamente o ideal da liberdade, entendida como autonomia para determinar o próprio percurso de vida. Ampliou-se a disponibilidade a quebrar os vínculos familiares, entre pais e filhos bem como entre cônjuges, quando percebidos como limitadores da própria expressividade. Cabe investigar circunstâncias socioculturais e religiosas que favorecem a pertença ou a autonomia, procurando identificar a diversidade de valores que orientam a conduta das pessoas.
Os vínculos familiares realizam uma relação na qual a pessoa entra com a totalidade de sua existência, de seu temperamento, de suas capacidades e limites, diferentemente do que acontece com quase todos os outros ambientes da vida, nos quais se estabelecem relações parciais, limitadas a capacidades específicas, correspondentes a funções determinadas.
Um grupo de pessoas é reconhecido como família quando se configura como uma relação de plena reciprocidade entre os sexos e entre as gerações. Trata-se de um recíproco pertencer, na maioria das vezes não simétrico, constituído através de processos de vinculação desenvolvidos em contextos diádicos.

Essas características qualificam a família como complexo simbólico importante. Não é por acaso que quando alguém quer dizer que venceu a estranheza na relação com um ambiente ou com uma pessoa diz que se tornou “familiar”. O complexo simbólico da família é o primeiro ponto de apoio, o primeiro cimento da sociedade. Demonstra-o o fato de que a família é importante também quando a pessoa vive distante, porque está presente como realidade simbólica que determina o vivido psíquico e o sentido existencial das pessoas. A família é relação simbólica e estrutural que liga as pessoas entre si num projeto de vida, que entrelaça uma dimensão horizontal (a do casal) e uma dimensão vertical (a descendência e a ascendência), que supõe a geração de filhos. A família permanece o símbolo concreto de que cada pessoa humana tem um lugar no mundo, não está condicionada a puros interesses ou instâncias de poder. De um lado, o complexo  simbólico familiar tem ampla difusão e consideração positiva, por outro, parece perder seus contornos, uma vez que a família é assimilada, às vezes, a qualquer forma de convivência sob o mesmo teto.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Noite de Discernimento


Estaremos participando hoje, dia 29, em Niterói, de uma Celebração para a escolha do novo Casal Reponsável pela Região Rio IV, Província Leste. Solicitamos as orações de todos os Casais e Conselheiros por esse momento tão importante para a nossa Região.
Tereza e Reizinho-Casal Responsável da Região Rio IV.

domingo, 26 de janeiro de 2014

EUCARISTIA E VIDA CONJUGAL


Na epístola aos efésios o apóstolo Paulo dimensiona a grandeza do matrimônio cristão, relacionando-o à união espiritual entre Cristo esposo e a Igreja, neste sentido Ele diz: "Esse sacramento é grande, mas o digo em relação a Cristo e a Igreja" (Ef. 5, 32). E de tal modo a Igreja está unida a Cristo que não pode separar-se dele sem perder sua própria identidade. Essa união se realiza de tal modo na Eucaristia, que realmente nos tornamos com Cristo um só corpo e um só espírito, assim como no matrimônio se tornam uma só carne.
De fato tudo o que se pode dizer de Cristo esposo, pode-se também dizer de todo esposo cristão. Isto é, que Ele amou até o ponto de dar a vida; de cuidar da Igreja esposa, de aperfeiçoá-la dando de si mesmo. Igualmente tudo o que se pode dizer da Igreja esposa, pode-se dizer de qualquer esposa. Isto é, a Igreja é solicitada por Cristo, é inflamada com anseios de realizar a vontade de Cristo, assim como toda esposa deve dar-se de tal modo que descubra a verdadeira felicidade de fazer o esposo feliz. Sendo assim, o casal cristão encontra na Eucaristia a fonte única, capaz de nos realizar no verdadeiro amor.
Toda espiritualidade conjugal é centrada no mistério do Cristo que perpetuamente se imola e se doa no sacrifício do altar. Assim jorra uma fonte inextinguível de amor que sai do coração de Deus e inflama os nossos próprios corações na Eucaristia. Como ser um sinal do amor de Deus? Como ser uma só carne sem que antes nos tornemos com Ele uma só carne? Por ocasião da festa do Corpo de Deus que acabamos de celebrar, seria proveitoso que os casais cristãos meditassem e aprofundassem sua própria relação conjugal aprofundando- a também na sagrada comunhão.
Há poucos dias, se me permitem dar um exemplo, percebi na paróquia, durante a santa missa, que um casal após comungar deram-se as mãos e juntos fizeram sua ação de graças. Quase consegui ver a intensidade do amor de Cristo unindo e tornando-se o selo desse amor conjugal. Que a Eucaristia, mistério de unidade, seja amada, honrada e considerada a pedra de toque de todo edifício conjugal e familiar.

Pe. João Luís Franco Assumpção
Sacerdote Conselheiro Espiritual da Equipe 12 – Setor Niterói A e da Equipe 12 – Setor Lagos (Região Rio IV, Província Leste)


Publicado no Informativo “ENFOQUES”, Região Rio IV ANO VI – n0 35 – Maio / Junho - 2011

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

ASSIM NOS FALOU PE. CAFFAREL


“Sejam Santos...”

            A santidade até há pouco parecia exigir a fuga do mundo, mas agora sempre mais reivindica seu lugar no coração do mundo. O cristão não considera a realidade temporal como algo a ser sacrificado em função de um bem maior; mas como algo que precisa ser retomado e inserido na grande corrente que deve levar a criação toda na direção de Deus. [...] Seria ingenuidade, porém, acreditar que essa evangelização do temporal possa ser feita sem confrontos nem combates. A realidade temporal ainda é, de maneira terrível, feudo do “príncipe deste mundo”, que não pretende soltar sua presa! Imagina alguém que o mundo do trabalho poderá ser levado a Cristo sem um duro esforço, ou que o mundo do capital possa ser facilmente convertido ao Evangelho? E o mundo da política, e o da ciência, e o da arte? Essa conquista da natureza pela graça exige que a santidade esteja presente por toda a parte no mundo moderno. Aí está todo o problema: teremos santos leigos (santos... fique claro: homens totalmente entregues a Cristo, habitados pela caridade, movidos pelo Espírito), operários, camponeses, industriais que sejam santos, políticos que sejam santos, artistas que sejam santos?
            Padre Caffarel escreveu essas linhas vinte anos antes do Concílio Vaticano II, que inculcou com muita força essa vocação de todos os batizados à santidade. Esse foi o objetivo de toda a sua ação apostólica: levar os leigos à santidade. Primeiramente entre jovens, com os quais se ocupou durante os primeiros anos de seu ministério, antes da guerra de 1940. Depois com os casais que reuniu no Movimento das Equipes de Nossa Senhora. Finalmente com todos aqueles, de todos os estados de vida, que acorriam a Troussures, para sob sua direção fazer uma semana de oração.
            [...] Qual o caminho para chegar até a santidade? Em primeiro lugar os sacramentos da Igreja e, principalmente, a Eucaristia.
            Nossos cristãos de 1958 (e continua sendo assim em 2012) sabem, é claro, que podemos comungar todos os dias; essa é, pensam eles uma devoção edificante; mas os melhores, mesmo os militantes, no seu conjunto terão eles compreendido, ou chegaram mesmo a perceber que o regime normal do cristão normal é a comunhão cotidiana?
            E existe um outro alimento, não menos necessário que a Eucaristia para o organismo espiritual do cristão: a Palavra de Deus. Nosso amor a Deus, para continuar vivo, exige fé viva, um conhecimento vivido. 
            Ora, o meio privilegiado para termos uma fé viva é deixar que penetre em nós a Palavra de Deus viva, criadora e recriadora.
            Contudo a Eucaristia e a Palavra não produzirão em nós seus efeitos vitais e transformadores a não ser que nossa alma esteja irrigada pela oração interior. [...] Pe. Caffarel dedica tanto esforço a levar os cristãos à oração, e a essa forma eminente de oração que é a oração interior. Por isso ele dava este brado de alarme:
            O que me parece faltar à comunidade cristã e a seus membros é a vitalidade. [...] Penso que a causa dessa inquietante anemia está no descuido dos cristãos pela oração e, principalmente, por essa forma, face a face com Deus, que se chama oração interior. Naqueles que a negligenciam, fica como que entravada a eficácia da Palavra de Deus e dos sacramentos.
            Uma vez que não vão haurir, pela oração, da força divina, esses cristãos acabam não tendo forças para a ação; porque não contemplam as grandezas de Deus, acovardam-se; porque não se elevam até os pensamentos de Deus, eles não têm senão uma visão míope dos problemas do mundo; porque não se conectam com a energia criadora, não têm nenhuma eficácia. Em uma palavra, quando não praticam a oração os cristãos continuam presos a um estágio infantil.
(Do livro “Orar 15 dias com Henri Caffarel”)



quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

MARIA É A MÃE DA IGREJA


Maria é a Mãe da Igreja por ser a Mãe de Cristo, Cabeça da Igreja, que é o seu Corpo Místico, Maria é também Mãe da Igreja. Durante o Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI declarou solenemente que:
‘Maria é Mãe da Igreja, isto é, Mãe de todo o povo Cristão, tanto dos fiéis como dos pastores’ (21/11/64). Em 30/06/68, no Credo do Povo de Deus, ele repetiu essa verdade de forma ainda mais forte: “Nós acreditamos que a Santíssima Mãe de Deus, nova Eva, Mãe da Igreja, continua no Céu a sua missão maternal em relação aos membros de Cristo, cooperando no nascimento e desenvolvimento da vida divina nas almas dos remidos”.
A presença da Virgem Maria é tão forte e indissociável do mistério de Cristo e da Igreja, que Paulo VI no discurso de 21/11/64 afirmou que:  “O conhecimento da verdadeira doutrina católica sobre a Bem” aventurada Virgem Maria continuará sempre uma chave para a compreensão exata do mistério de Cristo e da Igreja”. Conhecer Maria “segundo a doutrina católica”  é conhecer Jesus e a Igreja, pois Maria foi peça chave, indispensável, no Plano de Deus para a Redenção da humanidade. “Na plenitude dos tempos, Deus mandou o seu Filho, nascido de uma mulher,… para que recebêssemos a adoção de filhos” (Gal 4,4).
Ou como diz o Símbolo Niceno Constantinopolitano, falando de Jesus: O qual, por amor de nós homens e para nossa salvação desceu dos céus e se encarnou pelo poder do Espírito Santo no seio da Virgem Maria. Desde os primeiros séculos do Cristianismo Maria é reconhecida e chamada pelos cristãos de Mãe de Deus Theotokos. Desde o final do século dois, os cristãos do Egito e do norte da África, onde havia mais de 400 comunidades cristãs, já a invocavam como Mãe de Deus, na oração que talvez seja a mais antiga que a Igreja conheça: Debaixo de Vossa proteção nos refugiamos Santa Mãe de Deus, não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, Virgem gloriosa e bendita. Para cumprir a missão extraordinária de Mãe de Deus, Maria foi enriquecida por Deus com todas as graças, e de modo especialíssimo com a graça de nunca conhecer o pecado: nem o original e nem o pessoal. Foi concebida no seio de sua Mãe, santa Ana, sem a culpa original.
O dogma da Imaculada Conceição de Maria, reconhecido pela Igreja desde os primeiros séculos, foi proclamado solenemente pelo Papa Pio IX, em 8/12/1854, através da Bula “Ineffabilis Deus” : Nós declaramos, decretamos, e definimos que … em virtude dos méritos de Jesus Cristo … a bem aventurada Virgem Maria foi preservada de toda mancha do pecado original no primeiro instante de sua conceição… Nas aparições a Santa Catarina Labouré, em Paris, em 1830, Maria ensinou lhe a conhecida oração que foi cunhada na Medalha Milagrosa: “Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós.”
Em 1858, quatro anos após a solene declaração do Papa Pio IX, Ela mesma revelou seu nome a Santa Bernadete, em Lourdes: Eu sou a Imaculada Conceição. Por isso, o último santo Concílio a chamou de: Mãe de Deus Filho, e, portanto, filha predileta do Pai e sacrário do Espírito Santo (LG, 53). E ainda registra o Santo Concílio Vaticano II que: Com este dom de graça sem igual, ultrapassa de longe todas as outras criaturas celestes e terrestres (idem). E repete as palavras de Santo Agostinho: Verdadeiramente mãe dos membros de Cristo… porque com o seu amor colaborou para que na Igreja nascessem os fiéis, que são membros daquela Cabeça. E mais: Por esta razão é também saudada como membro supereminente e absolutamente singular da Igreja, e também como seu protótipo e modelo acabado da mesma, na fé, e na caridade; e a Igreja católica, guiada pelo Espírito Santo, honrar como Mãe amantíssima, dedicando lhe afeto de piedade filial (LG,53). E o Sagrado Concílio reconhece que Maria: … na Santa Igreja ocupa o lugar mais alto depois de Cristo e o mais perto de nós (LG,54).
Maria é aquela Mulher que atravessa toda a história da salvação  do Gênesis ao Apocalipse. Ela é a Mulher que vence a Serpente, que havia vencido a mulher: “Porei odio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar ” (Gen 3,15). Quando Jesus chama a sua Mãe de Mulher, é para nos indicar quem é a grande Mulher predileta de Deus: Jo 2,4  Mulher, isto compete a nós ? Minha hora ainda não chegou. Jo 19,26  Mulher, eis aí teu filho. Maria é a Virgem que o profeta anunciou que haveria de conceber e dar à luz um Filho, cujo nome é Emanuel (cf Is 7,14; Mq 5,23 ; Mt 1,2223). Pela primeira virgem entrou o pecado na história dos homens, e com ele a morte (Rom 6,2); pela nova Virgem entrou a salvação e a vida eterna. Foi ela quem deu a carne ao Filho de Deus, para que mediante os mistérios da carne libertasse o homem do pecado (LG,55). Sem isto Cristo não poderia ser o grande e eterno Sacerdote da Nova Aliança.
Eis aí o papel indispensável de Maria. Como diziam os Santos Padres: Maria não foi instrumento meramente passivo nas mãos de Deus, mas cooperou na salvação dos homens com fé livre e com inteira obediência (LG, 56). Quis, porém, o Pai das misericórdias que a Encarnação fosse precedida da aceitação por parte da Mãe predestinada, a fim de que, assim como uma mulher tinha contribuído para a morte, também outra mulher contribuísse para a vida (idem).
Os Santos Padres disseram:
O laço da desobediência de Eva foi desfeito pela obediência de Maria; o que a virgem Eva atou com sua incredulidade, a Virgem Maria desatou pela fé (S. Ireneu).
E ainda, disse S. Jerônimo :
A morte veio por Eva, a vida por Maria.a minha igreja pq
A união de Maria com Jesus, na obra da Redenção, acontece desde a Encarnação até o Calvário. Assim foi na visita a Isabel (Lc1, 4145), no nascimento na gruta de Belém, na apresentação no Templo diante de Simeão (Lc 2, 3435), no encontro entre os doutores (Lc 2, 4151). Na vida pública de Jesus, Maria logo se manifesta nas bodas de Caná, antecipando a hora dos milagres (Jo 2,11), revelando se a mãe de misericórdia e intercessora nossa. Durante a pregação de Jesus, recolhia as suas palavras e guardava tudo no coração (Lc 2,19 e 51). E assim ela foi avançando no caminho da fé e manteve fielmente a sua união com o Filho até a cruz, onde estava, por vontade de Deus, de pé (Jo 19,25), oferecendo ao Pai por cada filho. Com Jesus ela sofreu profundamente. Como disse alguém, Jesus sofreu a Paixão, Ela a compaixão. A espada predita por Simeão atravessou lhe inteiramente a alma.
Assim se expressou o Santo Concílio:
Sofreu profundamente com o Unigênito e associou se de coração materno ao seu sacrifício, consentindo amorosamente na imolação da vítima que ela havia gerado; finalmente, ouviu estas palavras do próprio Jesus Cristo, ao morrer na cruz, dando ao discípulo por Mãe: mulher, eis aí o teu filho (Jo 19,2627),(LG,62). Após a Ascensão do Senhor ao céu vemos Maria com os seus discípulos, aguardando a vinda do Prometido do Pai, implorando com suas orações a chegada do Espírito Santo :Todos eles perseveravam unanimemente na oração; juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele (At 1,14). E, finalmente, terminando a sua vida terrena, ela que fora preservada de toda mancha do pecado, Foi levada à glória celeste em corpo e alma, e exaltada pelo Senhor como Rainha do Universo, para que se parecesse mais com o seu Filho, Senhor dos Senhores (cf Ap 19, 16) e vencedor do pecado e da morte (LG 59).
Maria não substitui a Mediação única de Cristo diante do Pai.
São Paulo deixou claro:
Porque há um só Deus, também há um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, verdadeiro homem que se ofereceu em resgate de todos (1 Tm 2,56). A função maternal de Maria acontece por livre escolha de Deus e não por necessidade intrínseca e se realiza pelos méritos de Cristo e de sua mediação única, e dela depende absolutamente em toda a sua eficácia; isto é, sem o sacrifício redentor de Cristo, a função de Maria como medianeira, não seria possível. Portanto, Maria, longe de impedir o contato dos seus filhos com o Filho, o facilita ainda mais. Logo, Maria jamais substitui a única e indispensável mediação de Jesus diante do Pai, mas coopera com ela para o bem de seus filhos.
No céu  garante a Igreja  Maria continua a sua missão de Intercessora para obternos os dons da salvação eterna. Com seu amor de Mãe, cuida dos irmãos de seu Filho, que ainda peregrinam e se debatem entre perigos e angústias, até que sejam conduzidos à Pátria feliz (LG, 62). Sem nada diminuir ou acrescentar à exclusividade de Cristo, Mediador único, Maria é invocada pelos seus filhos com os títulos de Advogada, Medianeira, Auxiliadora dos Cristãos, Refúgio, Consoladora, Porta do Céu, e muitos outros. Por todas essas razões a Igreja presta, e sempre prestou, um culto especial a Maria, Mãe de Deus.
Não um culto de adoração (latria), que só é devido a Deus (Pai, Filho e Espírito Santo), mas um culto de hiperveneração (hiperdulia). O Sagrado Concílio ensina deliberadamente essa doutrina católica e exorta ao mesmo tempo todos os filhos da Igreja a que promovam dignamente o culto da Virgem Santíssima, de modo especial o culto litúrgico; e que tenham em grande estima as práticas e os exercícios de piedade que em sua honra o magistério da Igreja recomendou no decorrer dos séculos (LG, 67).
E o santo Concílio adverte :
Recordemse os fiéis de que a devoção autêntica não consiste em sentimentalismo estéril e passageiro ou em vã credulidade, mas procede da fé verdadeira que nos leva a reconhecer a excelência da Mãe de Deus e nos incita a um amor filial para com a nossa Mãe, e à imitação das suas virtudes (LG, 67).
A Virgem Maria sempre deu provas claras do seu amor maternal à Igreja, especialmente nos momentos em que esta foi ameaçada.
Quando, por exemplo, em 1571, a civilização cristã estava em risco na Europa, devido ao ameaçador avanço dos mulçumanos, o Papa S. Pio V implorou a proteção de Maria em favor do povo cristão, pedindo que a Virgem afastasse, de uma vez por todas, os perigos do islamismo.
No dia 07/10/1571, na grande e decisiva batalha de Lepanto, na Grécia, as tropas dos príncipes cristãos venceram definitivamente os turcos otomanos.Para agradecer à Mãe da Igreja essa vitória insigne, o Papa mandou incluir na Ladainha Lauretana a invocação, Auxiliadora dos Cristãos, Rogai por nós, e definiu o dia 7 de Outubro como o dia de Nossa Senhora do Rosário, em agradecimento e homenagem à proteção dada à Igreja.
Outro fato marcante da providência da Mãe e Auxiliadora, se viu quando o imperador Napoleão Bonaparte mandou prender o Papa Pio VII, que não quis aprovar a anulação do seu casamento com Josefina. Na noite de 5 a 6 de julho de 1809 Napoleão mandou prender o Papa em Savona (Itália do Norte), que foi submetido a vexames por parte do imperador. Em 1812 o Papa foi transferido para a cadeia de Fontainebleau perto de Paris. Em todo o seu sofrimento o Papa se recomendou aos cuidados de Nossa Senhora, Auxiliadora dos Cristãos. Em 10/03/1814, já vencido pelos inimigos, Napoleão deu liberdade ao Papa, que neste dia partiu para Roma, onde chegou em 24 de maio, passando por Savona. Nesta cidade coroou Nossa Senhora com uma coroa de ouro, em agradecimento de sua libertação. No dia 24 de maio, ao chegar em Roma, instituiu a festa de Nossa Senhora Auxiliadora, dia do seu regresso a Roma.
Poucos dias depois, em 11/04/1814, no mesmo Castelo de Fontainebleau, onde mandara prender o Papa, Napoleão era obrigado a abdicar do trono da França. Em 18/06/1815 era vencido na batalha de Waterloo e deportado para a ilha de Santa Helena.
Gostaríamos de recomendar aqui a leitura do livro A Mulher do Apocalipse (Loyola, 1995) onde procuramos sintetizar a doutrina católica sobre Maria; e o grande livro de São Luiz de Montfort, O Tratado da Verdadeira Devoção à Virgem Santíssima, a fim de conhecer melhor e amar mais a Mãe da Igreja e nossa Mãe.
Prof. Felipe de Aquino

Retirado do Livro: ‘A Minha Igreja’