segunda-feira, 5 de março de 2012

ÊXITO DE CARIDADE



É preciso que a caridade fraterna aumente sem cessar nas vossas equipes.
- Quando alguns casais se exercitam na entreajuda e no amor fraterno, pouco a pouco, o seu coração alarga-se. E, gradualmente o seu amor invade a casa, o bairro, o país … até atingir as mais longínquas paragens.
- Construir uma equipe é importante: aí permanece dia e noite, o Cristo eucarístico. Mas não é menos necessário para a cristandade possuir equipes de caridade: é uma outra maneira de tornar Cristo presente aos homens. "Onde há amor fraterno, aí se encontra Deus", conta a liturgia da Quinta-feira Santa. "Quando dois ou três se reunirem em meu Nome promete Jesus Cristo, Eu estarei no meio deles".
- Presença de Cristo, e portanto presença de Igreja. Onde haja cristãos que se amem, aí está a Igreja. Com a condição, no entanto, de que essa pequena comunidade queira ela mesmo estar presente à Igreja, ser serviço da Igreja.
- O poder da intercessão dos cristãos, quando são unidos, é de uma força extraordinária: "Se dois de vós, na terra, se puserem de acordo para pedirem o quer que seja, em verdade vos digo que o obterão do meu Pai que está no céu.
- O amor fraterno é de uma excepcional fecundidade. À sua volta o mal diminui, o deserto começa a florir. Um pároco dos arredores de Paris dizia-me: "Quando uma rua da minha paróquia tem muito mau ambiente, peço a casais cristãos que vão para lá morar (era antes da guerra) e que ofereçam àquela gente muito simplesmente o testemunho do seu amor fraterno. Ao fim de seis meses, os habitantes da rua respiram um novo ar".
- Uma comunidade fraterna é uma mensagem de Deus aos homens. A sua mensagem mais importante, aquela que revela a vida íntima de Deus, a sua vida trinitária. Não há discurso sobre Deus mais eloquente e mais persuasivo do que o espectáculo de cristãos que "são um" como o Pai e o Filho são um.
- Nada glorifica mais a Deus do que cristãos unidos. É a grande obra prima da graça divina. Deus nela põe a sua complacência. "Os céus cantam a glória de Deus", o amor fraterno canta o amor eterno.
Que a vossa obsessão seja: Fazer da vossa equipe um ÊXITO DE CARIDADE.

Henry Caffarel.


Editoriais das Cartas Verdes
Traduzidos pela Equipe Porto 2 e editados pela Supra-Região em Dezembro de 2007, nos 60 anos da Carta Fundadora do Movimento das Equipes de Nossa Senhora.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

"Separação e divórcio: a criança no centro do conflito conjugal"



Entrevista com a psicóloga Valeria Giamundo sobre as consequências deste fenômeno na infância.

Dra Giamundo, quais são as razões deste crescimento?
Dra Giamundo: As separações e divórcios são conseqüências de profundas transformações sociais e culturais, a partir da emancipação feminina, até a chegada da mentalidade individualista da sociedade atual, que promove o interesse pelo bem estar individual e a realização pessoal, em vez daquele familiar e da sociedade como um todo.
A instabilidade do trabalho e da economia, e conseqüentemente o stress e o sentimento de precariedade, parecem diminuir a passagem para a vida adulta e com isso as decisões de formar família, subordinada à busca por estabilidade de renda, da procura por moradia e por ai. A consequência é uma realidade familiar caracterizada por núcleos cada vez menores, com equilíbrio instável e conflitos relacionais.
As estatísticas evidenciam que, junto ao aumento das separações e dos divórcios, se registrada também uma diminuição da taxa de matrimônios, que poderia confirmar uma efetiva propensão a ruptura da ligação.
Muitas pessoas que, vivendo uma separação ou um divorcio, procuram a ajuda de um psicólogo?
Dra Giamundo: Com o aumento do fenômeno com certeza é maior a necessidade de referir-se a um profissional como nós, pois, na verdade, não é possível estar preparado para enfrentar um evento tão estressante. A difusão do fenômeno tende a uma normalidade às vezes excessiva do evento, com o risco de subestimar os resultados do processo de separação.
E quais são as conseqüências?
Dra Giamundo: Estudos demonstram que a separação conjugal está em segundo lugar entre os eventos estressantes na vida do individuo, logo após a morte de um parente próximo. No âmbito clinico, as separações são comparadas ao luto pelas suas características psicológicas e emocionais.
A divisão familiar gera inevitáveis recaídas no bem estar psico-físico de todos os membros da família, e incide significativamente na qualidade dos relacionamentos entre pais e filhos, gerando a necessidade, para todos os membros, de recorrer a um apoio psicoterápico.
Quais são as marcas mais frequentes para uma criança?
Dra Giamundo: Podem ser de diversas naturezas e dimensões: raiva, frustração, ansiedade, depressão, regressão, problemas comportamentais, distúrbios do sono entre outros.
É importante observar as reações da criança também no contexto extra-familiar; os professores, por exemplo, são uma grande fonte de informação em relação aos pequenos. Muitas vezes, são eles que sinalizam um distúrbio, evidenciando, por exemplo, um problema na atenção ou na aprendizagem.
Na criança os sinais do sofrimento não emergem sempre de maneira muito evidente; os pais descrevem crianças que aparentemente protestam, crianças que se fecham em si mesmos, mas também crianças que reagem positivamente e que parecem facilmente adaptados ao evento.
Nestes casos não deve ser negligenciado que poderia tratar-se de formas de pseudo- adaptação, como acontece com crianças que negam a separação dos pais ou inibem a expressão para não intensificar o conflito conjugal.
Quais são os efeitos das separações a longo prazo? As crianças, no decorrer do crescimento, podem ressentir o erro dos pais?
Dra Giamundo: A separação, se não for bem elaborada, pode ter efeitos ao longo do tempo na capacidade de construir e manter ligações afetivas mas, atenção, não é verdade que os filhos de pais separados correm maior risco do que filhos de pais unidos.
O clima familiar e a qualidade das relações é um elemento essencial. O maior dano é, na verdade, devido à perpetuação das condições em que a criança sente-se o objeto de disputa, nesses casos, a criança vai reagir enfatizando os laços com um dos pais, geralmente com quem tem a custódia ou a guarda.
A ligação com apenas um dos pais é quase necessária para a criança que teme posteriores abandonos, mas isso gera experiências carregadas de senso de culpa, conflitos interiores (além de relacionais) que terão inevitavelmente consequências sobre o futuro psico-afetivo.
Porque os pais não conseguem ajudar os filhos neste momento de história familiar?
Dra Giamundo: Os pais também vivem a separação como um evento traumático, muitas vezes a opção pela separação não é partilhada. Nestes casos a raiva, o medo, a sensação de falimento impedem um confronto sereno e voltado a individualizar as melhores soluções para o equilíbrio familiar.
O conflito é sem dúvidas o sintoma mais frequente e se reflete em comportamentos destrutivos não apenas em relação ao companheiro, mas também em relação aos filhos e a si mesmo. São desencadeadas verdadeiras guerras nos tribunais, onde o direito dos filhos de viver serenamente uma relação equilibrada com as duas figuras de referência é confiada à competência de um juiz ou perito.
Estas guerras podem causar a intensificação do desconforto da criança, com consequências agudas e crônicas que impedem o desenvolvimento de uma personalidade saudável e equilibrada. Os adultos de referência para a criança se tornam, ao improviso, frágeis e carentes de ajuda; em alguns casos os filhos assumem o papel de “protetores”, permanecendo atolados em relacionamentos disfuncionais, onde acabam, geralmente, protegendo o genitor considerado mais fraco.
Como deveria ser o comportamento dos pais para minimizar o sofrimento dos filhos?
Dra Giamundo: Nestes casos os pais devem ser ajudados ou apoiados, através da mediação familiar no processo de mudança, que implica uma notável reorganização do funcionamento familiar. A tarefa de um pai é manter íntegra a função parental, limitar o conflito e renovar as redes de relacionamento significativas, para que possam melhor apoiar o crescimento da criança.
Britta Doerre

sábado, 25 de fevereiro de 2012

É TÃO BOM SER PEQUENINO

Recordo o cheiro dos lençóis lavados, a guerra para lavar os dentes, histórias contadas antes de adormecer. O desejo de chegar a casa, o aconchego e, depois, outra vez a vontade de sair.
Corria para a minha mãe quando caía e me magoava. Não para o meu pai, porque seria preciso dar muitas explicações e ouvir de novo o racional “Eu já te tinha avisado…”.
Um prato especial nos dias de festa. Birras. É preciso vestir aquela roupa nova. É a tua vez de lavar a louça.
Não sei muito bem a partir de que idade é que os irmãos deixam de ser irritantes…
Depois do jantar fazíamos jogos e entretínhamo-nos uns com os outros. Por vezes, quando era Verão, saíamos a passear e apanhávamos pirilampos.
A chuva lá fora, o calor dentro de casa. Um livro. Um amigo que vem lanchar. Um te ralhe porque desta vez passamos dos limites e as calças vêm cheias de lama. Já te disse tantas vezes que não se deve deixar aí a roupa suja…
Acordar com um beijo. Adormecer com uma oração.
Natal. Os primos. Visitas a casa dos avós. Brincadeiras. Às vezes notar, sem notar, uma expressão semelhante à tristeza ou cansaço no rosto do pai ou no rosto da mãe. Depois, brincadeira de novo. Música, flores, sorrisos. É tão bom ser pequenino…
Coisas pequenas. Diárias. Vulgares. Mas enormes, únicas, cheias de magia.
Durante muito tempo estive convencido de que era a infância que acendia nas pequenas coisas de todos os dias essa música e esse encanto que agora recordo. Que era por ser pequeno na altura que todas essas coisas são agora especiais. Mas há tantas pessoas que foram também pequenas e nunca poderão ter recordações destas… E não porque não tivessem tido pais, ou porque estes os tivessem maltratado ou porque tivessem sido demasiado pobres.
Geralmente não é muito difícil casar, ter filhos, uma casa para viver. Mas depois de se conseguir isso podemos chegar à conclusão de que é muitíssimo difícil construir uma família. É talvez como ter já os tijolos e, no entanto, sentirmo-nos incapazes de encontrar o cimento que os una, lhes dê forma, consistência e identidade.
É fundamental ter uma infância feliz… E começamos então a dar aos filhos coisas excelentes e atividades fantásticas e experiências divertidas. E enchemos de trabalho os dias, para lhes podermos dar tudo isso. Saímos, portanto, de casa. E a casa esvaziou-se.
E deixamos de viver com os filhos. As coisas fantásticas que lhes demos acabaram por ocupar quase todo o tempo em que deveríamos ter estado com eles.
É muito fácil errar o caminho.
Ao crescer, descobri que para se ter os lençóis lavados e passados a ferro é preciso freqüentemente deitar-se mais tarde e dormir menos.
Aprendi que é preciso ter paciência para fazer uma criança ganhar o hábito de lavar os dentes ou deixar a roupa suja no local correto. E que a paciência dói.
Reparei em que as pessoas mais velhas gostam de sossego depois do jantar, porque se cansam facilmente. E que, por isso, tem um alto preço fazer nessa altura jogos com crianças ou correr atrás de pirilampos.
Vim assim, a saber, que o cimento da família é aquilo que se faz pelos outros, deixando de fazer aquilo de que se gosta, para vê-los felizes, para construí-los, para ajudá-los a chegar a onde devem chegar. Aquelas pequenas coisas da minha infância foram grandes, afinal, porque eram feitas de um amor sacrificado e escondido. Esse amor toca naquilo que é pequeno e engrandece-o. Desenha flores no pó do quotidiano. Só ele permanece.
(Paulo Geraldo)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

QUARESMA 2012



Mais uma vez, no caminho de preparação para a mais importante festa do calendário cristão, a Igreja nos propõe um tempo de preparação – de penitência e de escuta da palavra, de acolhimento do plano de Deus e de atenção aos irmãos.
Neste ano de 2012, os textos que nos serão apresentados ao longo destas cinco semanas, mostram-nos um percurso claro e definido: Deus quer oferecer-nos um mundo onde a felicidade é possível (1º domingo) e a sua Palavra ensina-nos o caminho (2º domingo), Palavra que nos chama à conversão e à renovação (3º domingo). Aceitar esta Palavra implica, pois, mudar de vida. Fiquemos, contudo, certos do amor de Deus, gratuito e incondicional (4º domingo). Quanto a nós, temos de estar atentos ao seu plano de salvação e ir ao encontro dos outros, no amor e no serviço (5º domingo).
A “nova evangelização” a que a Igreja nos convida a todos nesta Quaresma impele-nos a não guardarmos este segredo do amor misericordioso de Deus e a partilhá-lo à nossa volta.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A BOLA DE NEVE

José e Margareth Daldegan
familiaemfoco@cidadenova.org.br


Quando amamos alguém de verdade, tudo o que queremos é o bem da pessoa amada. Somos capazes de fazer os mais árduos sacrifícios para que ela seja realmente feliz e poupada de todo tipo de infortúnios. E quando esse amor é correspondido experimentamos uma felicidade e realização plenas.


O amor do casal é assim. Um buscando o bem do outro e, juntos, encontrando forças para assumir totalmente o compromisso de criar uma família e enfrentar as adversidades que isso comporta. Para tanto, não basta que o amor seja sincero, mas também maduro e perseverante.
Uma coisa muito triste , e que pode acontecer com certa freqüência na vida de um casal que se ama, é o despertar do ressentimento. Em momentos particulares de cansaço ou estresse, um descuido ou uma desatenção por parte de um dos cônjuges pode ser considerado inadmissível pelo outro – interpretado como uma indelicadeza ou até uma ofensa

Isso acaba acontecendo porque, quanto maior o amor que dedicamos a uma pessoa, maior é a expectativa de correspondência a esse amor. E se em algum momento não sentimos essa correspondência sentimo-nos magoados.
Mesmo assim, se conseguimos encontrar um mínimo de serenidade, será possível declarar os próprios sentimentos, a fim de buscar esclarecimentos e recomeçar o relacionamento. Ao contrário, se nos deixarmos invadir pela mágoa, nossa reação natural será devolver aquela ofensa de maneira tão forte quanto a experimentamos. E o outro, que talvez nem tenha se dado conta do que havia feito, também se sentirá agredido injustamente.
Está formada assim, uma bola de neve. Se não for parada a tempo, ela descerá a montanha e, por si só, irá aumentando de tamanho e velocidade. Quanto mais alta e íngreme for a montanha – quanto maior o amor – maior será a velocidade da bola de neve, ou seja, a mágoa e a incompreensão. Enquanto ambos ficarem esperando um do outro as devidas desculpas, tanto maior será a dificuldade de, com humildade, recomeçar.
É preciso ter consciência de que ambas as partes têm responsabilidade por chegarem a esse ponto. E isso vale tanto para o amor de um casal, quanto para os laços familiares, de amizade ou de irmãos de caminhada.
Erich Segal, em seu famoso romance “Love Story”, que conta a história de amor de um jovem casal, celebrizou a frase: “Amar é nunca ter que pedir perdão”. Por outro lado, sabemos que cometemos falhas, mesmo com alguém a quem amamos. Portanto, uma frase mais adequada às nossas limitações humanas seria: “Amar é pedir perdão sempre, sem esperar desculpas”.
Por maior que seja esse amor, ele nunca será perfeito, porque é humano, e sempre exigirá coerência do outro. Daí a necessidade de aprimorarmos a comunicação. Jamais podemos nos iludir pensando que já sabemos amar o outro. Além disso, todo o sentimento deve ser enriquecido por um “Amor” maior. Só assim é possível superar barreiras que parecem intransponíveis.
Se tivéssemos que oferecer um conselho a quem está passando por momentos de incompreensão recíproca, perfeitamente possíveis na vida do casal, diríamos: ajam com simplicidade, mas com agilidade, para corrigir logo o mal entendido e recomeçar. Peçamos logo desculpas, mesmo que o outro pareça ser o culpado. Veremos, então, que o relacionamento resgatado não será o mesmo de antes, mas se restabelecerá num patamar muito superior.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Posse de D. José Francisco Resende


D. José Francisco Resende, é o novo Arcebispo Metropolitano de Niterói.
(clique na foto para visualizar o álbum)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

OUSAR O EVANGELHO





Por Nospheratt


Ousar é o verbo. Coragem o substantivo.
Hoje, sempre, os advérbios.Nunca pensei em mim mesma como uma pessoa ousada. Aliás, esse é um conceito bastante “demodé” hoje em dia: qualificar alguém como ousado.

Esse termo nos remete à épocas passadas, quando se usavam palavras como galhardia, cavalheirismo, casadoira e fósseis afins.
E no entanto… procurando um ângulo para este texto, percebi que sim, sou uma pessoa ousada. Tanto no sentido positivo como no sentido pejorativo da palavra – dependendo do ponto de vista de quem me observa.

O que me levou do microcosmo – eu – ao macrocosmo – a sociedade, a humanidade. Quanto de nós se perde por falta de ousadia?

Ousadia – Definição

Mas primeiro vamos definir o que é ousar. O dicionário diz:
Ousar v. tr., atrever-se a; ter a ousadia, a coragem de; empreender, abalançar-se.
E ainda:
Ousadia s. f., qualidade do que é ousado; ato audacioso; atrevimento; destemor; arrojo; coragem; audácia;
galhardia.

Empreender, atrever-se a; ato audacioso, destemor, coragem. Palavras grandiosas, muito distantes do nosso dia-a-dia, não é? Não deveria ser assim. Retomo minha pergunta:
Quanto de nós se perde por falta de ousadia?

Perdemos oportunidades; não ousamos tentar, por medo de errar. Perdemos afetos; não ousamos amar. Perdemos pessoas; não ousamos dizer “eu te amo”, “você é importante”. Perdemos descobertas; não ousamos experimentar coisas novas.

Perdemos tempo; não ousamos dizer não, nem sim. Perdemos personalidade; não ousamos “sacudir o barco”, dizer o que realmente pensamos. Perdemos vida, por que não ousamos viver. Sem uma certa dose de ousadia, a vida nada mais é do que um tedioso corredor da morte.

Há que se diferenciar ousadia de comportamento impensado (e até mesmo estúpido). Ousar é uma arte. Se você está pensando que ousar é dizer umas quantas verdades ao seu chefe, sem pensar nas consequências, está muito enganado!

A ousadia frutífera tem dois pilares: a coragem e a inteligência. Por tanto, não venha se queixar se acabar jogando fora seu emprego, inspirada no meu texto!

Ousadia: Medo X Coragem

Quando se trata de ousar, estamos falando de dar um passo em direção ao desconhecido, e o medo quase sempre se faz presente – se você tem um mínimo de bem senso e instinto de auto-conservação, claro. Aqui entra em cena um famoso clichê-verdade: coragem não significa não sentir medo, mas seguir em frente apesar do medo.

Nem todo mundo tem capacidade para isso. A covardia, o comodismo, a mediocridade, são moedas correntes na nossa sociedade. Aprendemos desde cedo a “deixar pra lá”, a escolher o caminho mais fácil, a baixar a cabeça, a seguir a opinião da maioria, a “encaixar”.

Somos ensinados a permitir que a atração natural que sentimos pelo que é prazeiroso, bloqueie nossa aceitação de experiências menos agradáveis. Rejeitamos a mudança porque ela nos causa insegurança. Concordamos com o outro, com o único intuito de evitar o confronto. Evadimos a todo custo qualquer tipo de problema ou desconforto; vivemos no que eu chamo de “mentalidade de boiada”.

Nem só de Prazer Vive o Homem

A busca do prazer acima de todas as coisas, e a rejeição de tudo o que não produz prazer, é um estágio infantil da psicologia humana.

Após uma certa idade (que eu localizaria nos anos que transitam entre o final da adolescência e o começo da idade adulta) o ser humano deveria amadurecer, e aprender que a vida é mais do que somente prazer.

A partir daí é que a arte de ousar pode ser exercida com consciência, de forma produtiva e frutífera. As crianças ousam por instinto; por necessidade de conhecer o mundo que as rodeia e estabelecer seus limites; por completa ignorância dos riscos inerentes aos seus atos.

E aí temos outra diferença, que expressa o quanto uma pessoa cresceu e amadureceu. A criança ousa para saber quem é. O adulto necessita saber quem é, para poder ousar.

É Preciso Auto-conhecimento

Explico: somente sabendo quem você é – quais são suas fortalezas e debilidades, suas virtudes e defeitos, seus princípios e expectativas, quê coisas são importantes para você – poderá definir com propriedade o que realmente deseja, quanto está disposto a arriscar, o que é inaceitável, e de quais coisas está disposto a abrir mão.

Baseando-se nessa claridade, é que se pode ousar, não com segurança (o que seria uma incongruência) mas com consciência.

Lembre-se: ousar é um risco, uma aposta; não há garantias, é impossível ganhar sempre. Perder faz parte do jogo. Você decide quanto quer arriscar.

FONTES:
http://deusario.com/a-arte-de-ousar/
http://alexandrealana.blogspot.com

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

EACRE 2012 - Região Rio IV - Província Leste


Fotos do "Encontro Anual dos Casais Responsáveis de Equipe", da Região Rio IV, Província Leste.
(Clique na foto para visualizar o álbum)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

"REFLEXÕES SOBRE O BIG BROTHER BRASIL"




O Império Romano não foi derrotado pela espada e canhões, mas pela decadência moral
Respiramos uma atmosfera erótica generalizada. Nada acontece por acaso. Estes programas têm uma filosofia, uma intenção, um objetivo que é ganhar dinheiro pela via do erotismo. Sexo, dinheiro e fama são os piores ídolos da humanidade. Eles nos escravizam. Trata-se de uma ''trinca perigosa''.Depois que no Brasil, através de manobras políticas, foi liberado o divórcio instantâneo, a manipulação de células tronco embrionárias, a união de pessoas do mesmo sexo, a lei da palmada, entramos numa anarquia erótica. Sem esquecer o ''kit sexo'' idealizado pelo ex-ministro da Educação, o projeto da homofobia, do aborto e aquela jogada nada honesta de liberar o aborto em nome dos direitos humanos e da saúde publica, como queria o ex-ministro da Saúde. Virou uma balbúrdia, e até os que defendem as bandeiras da revolução sexual estão preocupados.Tudo isso parece modernidade, mas é sintoma da doença da nossa civilização. O Império Romano não foi derrotado pela espada e canhões, mas pela decadência moral. Um sábio chinês diz que estamos confundindo um navio furado, invadido pelas águas e afundando, com uma piscina de banho. Estamos afundando e fazendo festa, como se o barco furado invadido pelas águas fosse uma piscina.Nada temos a aprender da revolução sexual acontecida nos Estados Unidos e na Europa. São países envelhecidos e necessitados de braços estrangeiros, de mão de obra barata. Está mais do que comprovado que a revolução sexual fracassou. Tudo piorou com a pornografia na internet. Nossa cultura secularizada erotiza precocemente crianças e adolescentes fazendo explodir a gravidez precoce, a aids e outras doenças. O próprio Freud orientou a sexualidade humana para a sublimação.Na ideologia do BBB está sendo passado um culto exagerado do corpo, a exaltação do instinto e da paixão, o homossexualismo, a inutilidade do casamento, a degradação da família. Isso tudo sem respeito pelo povo e seus valores morais. A banalização da sexualidade é um retrocesso destrutivo porque abre o caminho para a droga, o alcoolismo, o vazio interior, a exaltação do corpo. Há escolas onde a educação sexual consiste apenas em saber usar o preservativo, conhecer a fisiologia corporal e a praticar todo tipo de erotismo. Em muitos setores da sociedade o permissivismo está incentivando o contrário, isto é, a volta do moralismo, do tabu, do negativismo sexual. Não devemos perder a simpatia, o louvor, a gratidão pelo dom da sexualidade.
Na democracia temos o direito de protestar, contestar, dialogar, discordar. Em relação ao BBB, continuemos a utilizar a internet. Mudar de canal é um gesto que tem efeitos muito práticos. Não telefonar para dar o voto aos concorrentes também é algo eficaz. O protesto popular, a consciência social, a manifestação do povo e das instituições têm poder. O que não podemos é continuar reféns da ditadura do relativismo e do erotismo. BBB é um desacato à nossa cultura.Não morremos por falta de sexo, morremos por falta de afeto, de carinho, de consideração. A paixão tem sabor de liberdade, mas é uma corrente que nos amarra e a carne não basta para saciar nossa fome de amor. O coração é mais que o corpo. O Brasil não pode ser a pátria do turismo sexual. Nossa tradição familiar e cristã é um bem para sociedade.
Tantos artistas convertidos já declaram ao mundo inteiro que a ''alegria do espírito é maior que a volúpia da carne''. O que vale é o amor, os valores, os limites, a humanização da sexualidade, a fé, a espiritualidade. O amor livre é uma invenção burguesa que leva à onipotência e onipresença do prazer desordenado. Torna-se escravidão e desilusão.A sexualidade é uma energia que nos leva ao encontro com o outro inclusive com o grande Outro. É uma força de comunhão, de relacionamento, de amizade, de transcendência. Temos um longo caminho a percorrer na busca do equilíbrio e da maturidade sexual e afetiva. Quanto mais amor, mais pudor. A linguagem do amor compõe-se das seguintes declarações: eu sou amável; eu gosto de você; eu sou capaz de amar; eu amo e por isso escolho; eu decido amar alguém; eu sou teu para sempre.

DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

"A PAIXÃO É NECESSÁRIA ?"



Tudo parece fácil ao princípio. Um homem e uma mulher apaixonam-se. Deseja-se a presença da outra pessoa – fazem-se tudo para que o outro seja feliz. As dificuldades e os obstáculos não contam e mal se apercebem. Os laços da inércia, a apatia e a fraqueza parecem superadas. “A autêntica paixão torna o homem terno e até puro”, diz o filósofo Dietrich von Hildebrand, e com isto não se refere à embriaguez emocional, ao feitiço dos sentidos, mas ao entusiasmo verdadeiro que se sente por outra pessoa, um fascínio do entendimento e do coração, da vontade e dos sentimentos. Embora talvez este arrebatamento se baseie primeiro no exterior do outro, também se sente a sua bondade e a sua beleza. Tal como o amor conjugal, a paixão autêntica aspira à exclusividade absoluta e à continuidade. Aquele que diz estar agora apaixonado, embora não saiba se amanhã continuará a estar, está embriagado, mas não realmente apaixonado.
A intensa sensação de paixão nos primeiros tempos de casamento é qualquer coisa de positivo que facilita os começos. Um avião de Munique para Hamburgo gasta 80% do combustível quando levanta vôo. É necessário gastar esta imensa quantidade de energia para que o avião atinja a altitude de vôo. Uma vez alcançada, a alimentação necessária é diferente. Assim, será menor e contínua, e de vez em quando têm de se fazer correções, maiores ou menores, da trajetória para manter a rota.
Uma paixão autêntica é a melhor condição para o êxito do casamento. Mas não é absolutamente necessária. Todos os pensadores e poetas e muitas pessoas com experiência na vida, concordam que não é freqüente uma grande paixão conduzir ao casamento. Aquele que a experimenta sente-se feliz e com sorte. Mas também se pode conseguir um casamento feliz sem se começar com ela.
Posto que apaixonar-se não é uma exigência primordial, seria ridículo fazer disso uma condição para nos casarmos ou para persistir na nossa união.
O casamento que nasce da simpatia, da amizade e da benevolência também tem bons alicerces. Embora menos romântico e mais prosaico é indubitavelmente susceptível de progresso. Da simpatia pode nascer amor; do hábito, carinho e confiança.
Um grande número de casamentos são feitos ou por interesse ou por sentimento de dever: há viúvos que têm de procurar uma mãe para os seus filhos pequenos, e viúvas que têm de procurar um pai para os seus filhos adolescentes; também há casamentos que se celebram por agradecimento ou para solucionar o aspecto econômico, para beneficiar de um apelido de prestígio, porque existe uma gravidez ou para não ficar solteiro. Estas razões não são, certamente, nada ideais. Mas quando existe simpatia pelo outro, uma pessoa sente-se bem com a outra e se está disposta a partilhar a vida, estes casamentos podem muitas vezes crescer e aprofundar-se (o casamento por dinheiro é talvez aquele que tem menos probabilidades de êxito). Estão cheios de esperança: a do “verdadeiro” amor que não afeta só a razão mas também o coração.
De uma forma ou de outra, a paixão está sempre na base do amor conjugal embora só o seja como possibilidade latente. Não creio que seja correção menosprezá-la, pois a falta de amor poderia ser uma das causas mais freqüentes do empobrecimento da relação. Isto não significa que a paixão esteja continuamente viva, mas que ela deveria impregnar sempre o casamento, pois, se for aprofundada, representará a sua plena realização. É evidente que casamento e amor não devem identificar-se ingenuamente. O casamento, que é uma união objetiva, é independente dos sentimentos amorosos, garantia de segurança e continuidade. Essa união é como uma cerca no interior da qual se torna possível o crescimento do amor. Baseia-se numa decisão definitiva. A frase “amo-te” é uma característica desta decisão. Por isso, qualquer palavra acrescentada como em “amo-te muito” ou “amo-te imensamente” não é considerada um reforço, mas sim um redutor.
No caso ideal, também não se dirá “amo-te pela tua beleza” pela tua inteligência, pela tua força, pela tua suavidade, pois assim querer-se-ia só alguma coisa do outro (alguma coisa que indubitavelmente é digna de ser amada) mas ainda não se amaria a outra pessoa por si mesma, tal como é. No caso ideal, dever-se-ia dizer “Amo-te por seres como és”. Então, sim, amar-se-ia o outro por ele próprio, através de todas as adversidades da vida, as doenças, a velhice e até da morte.
(Jutta Burggraf, in O desafio do amor humano)

sábado, 14 de janeiro de 2012

"LADAINHA DA HUMILDADE"



Ó Jesus, manso e humilde de coração, ouvi-me.
Do desejo de ser estimado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser amado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser conhecido, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser honrado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser louvado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser preferido, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser consultado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser aprovado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser humilhado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser desprezado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de sofrer repulsas, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser caluniado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser esquecido, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser ridicularizado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser infamado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser objeto de suspeita, livrai-me, ó Jesus.
Que os outros sejam amados mais do que eu, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros sejam estimados mais do que eu, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam elevar-se na opinião do mundo, e que eu possa ser diminuído, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser escolhidos e eu posto de lado, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser louvados e eu desprezado, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser preferidos a mim em todas as coisas, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser mais santos do que eu, embora me torne o mais santo quanto me for possível, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

TEMPO COMUM

EVANGELHO QUOTIDIANO

Amigos
Após quatro semanas de preparação e duas de celebração do Natal, eis-nos de novo no «tempo comum». Nele ficaremos até ao início da Quaresma, a 22 de fevereiro.
É o tempo da caminhada, da paciência… Os textos dos domingos falam-nos dos começos da vida pública de Jesus, da vocação dos discípulos, e das primeiras curas. É-nos pedido que olhemos para esse Jesus e decidamos que resposta lhe dar, que atitude tomar diante desse homem que entra nas nossas vidas com uma simplicidade respeitosa e fascinante.
Compreenderemos que o apelo à conversão que ouvimos durante o Advento se dirige verdadeiramente a cada um de nós e nos toca no mais profundo do nosso coração. É preciso responder e caminhar. Como nos dizia Guerric d’Igny num comentário que nos foi recentemente proposto, «mesmo se estiverdes muito avançados no caminho [do Senhor], fica sempre algo a preparar para que, a partir do ponto a que chegastes, possais ir sempre mais além».
Caminhemos, pois, uns com os outros. E se, no nosso caminhar, encontrarmos gente parada à beira da estrada, não hesitemos em desafiá-los a vir conosco. “Vinde e vede”, disse Jesus a João e André.
Uma forma de lhes mostrar o caminho pode ser propor-lhe o Evangelho como leitura quotidiana…. Muitos dos nossos amigos estão à distância de um clic!
Contamos, como sempre, com o vosso entusiasmo evangelizador, com a vossa crítica e com a vossa oração.

Reproduzido do Evangelho Quotidiano